domingo, dezembro 19, 2004

Guarda minhas palavras,
Viajante no mundo inútil:
Conhecimento traz tristeza,
Na obscuridade serás feliz.

A vida é simples,
Isso todos dizem.
Por isso não exija dela
Obrigação em realizar sonhos.

Não têm esta função,
Mas a de viver.
Ela nada entende
De metas, objetivos ou futuro.

Ela está no presente.
O passado é o que foi,
O futuro o que pode ser.
Portanto, apenas viva e ponto.
As pedras rolam,
Esmagam o passado.
Restam rumores,
Vagas imagens.

Peças imaginárias,
De quebra-cabeça inssolúvel.
Os anos passam à janela,
Eu daqui os assisto desfilarem.

Quem me dera ter 15 anos,
Para quando novamente aos 30,
Ter a mesma sensação doída
De viver uma vida não vivida.

domingo, dezembro 12, 2004

De que me valem todas as cores?
E essa alegria que teima em brotar,
Se quem eu amo não se importa?
Melhor morrer de melancolia.

Em meus versos sempre há
Uma lágrima de amor perdido
E uma ponta de mágoa dolorida,
Mesmo atrás do eterno sorriso.

Apaixonei-me pela noite,
Com seus mistérios e tristezas.
Que no seu frio silêncio,
Enterra o coração sofrido.

Nela vivem os párias.
Assim tornei-me um deles,
Louco poeta das madrugadas,
Pela amargura destruído.
Versos esparsos, dispersos,
Sem rumo, diversos.
Versos voláteis, vaporosos,
Esgarçados, amassados.

Éter leva a poesia,
Em deliacada canção.
Sussurra ao ouvido daquela,
Palavras de amor e paixão.

Versos leves e plumosos,
Frágeis, quebradiços.
Versos fugazes, etéreos,
Brumosos. Enfim, versos!

Sopro aos quatro ventos,
Palavras adocicadas e diretas.
Tento teu coração enlaçar,
Eternizá-lo num abraço.

A magia de teus lábios tocar,
Em beijos os aprisionar.
Vão, versos perdidos no ar!
Encontrá-la em qualquer lugar.

Versos enlouquecidos, varridos,
Sem destino, perdidos.
Sigam no rumo certo,
Alcancem-na, pois está perto.

Versos velozes, ferozes,
Dançando pelas estrofes.
Tragam para junto de mim
A musa de lindos olhos.

sábado, novembro 27, 2004

Antes de dar adeus a tua imagem,
Deixe-me umedecer de lágrimas o beijo,
E meu coração com esta brasa marcar.

Agora vais lentamente sumir.
Ficarei ainda um tempo por aqui,
Digerindo e dissolvendo tudo isso
E armando-me para a próxima emboscada.

Se padeço de males de amor,
Não se culpe, nem lamente.
Coração poeta é sofredor,
Por amar intensamente.

Tudo vai para o passado,
Transformado em memória.
As marcas o tempo esmaece,
Aí, apenas mais uma serás.
É chegada a hora de te esquecer,
De chorar minhas lágrimas no escuro,
De deixar o coração sangrar.

Pensei haver razão para sonhar,
Mas sonhos não são para se realizar.
Agora, ouço meus lamentos no silêncio.

Aqui nesta estrada a caminhar,
Tentarei esquecer o quanto quis te beijar,
E este sentimento inflacionado deixarei secar.

Como a tantas coisas,
Haverei desta sobreviver,
Para por outras passar.

A noite vem chegando...
A dor vai aumentando,
Sou eu tentando te esquecer.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Minha poesia ficou muda,
As palavras já não me querem falar.
A solidão no peito aperta,
Contudo, nos olhos, lágrimas não há.

O dia faz-se em trevas,
Esperança não resiste.
Assim aguardo o tempo passar,
Na eterna cadência pendular.

A história repete-se,
Com horas amontoadas,
Nas lembranças, escombros
Da existência irregular.

Não estou a lamentar,
Nem tristezas a inventar.
Apenas sigo louco meu rumo,
Sem da vida mais nada esperar.
Fonte de inspiração,
Aonde estás?
De ti, apenas o rio,
Nunca a nascente.

De quais confins
Da alma inquieta,
Brotas tão forte
A ponto de arrebatar?

Das desilusões,
Novas ou antigas?
Da chaga aberta
No meio do coração?

Apenas sei aonde vais,
Mas nunca de onde vens.
E assim como chega,
Sorrateira, se esvai.

terça-feira, novembro 02, 2004

Crisálida, breve borboleta.
Tenho-te agora nas mãos.
Transforma-se lentamente.
Acolhi-te ainda lagarta,
Quando todos queriam te pisar.

Quando estenderes asas
Ainda frágeis e úmidas ao Sol,
E te puseres a voar...
Serei lembrança perdida,
Num turbilhão de novas sensações.


Ah, borboleta aprendiz!
Tua vida é efêmera,
De teu corpo de sílfide,
No final nada irá restar.

Ao olhar para trás,
Sentirá o sabor verde,
Tenra e saudosa infância,
Que nunca mais irá voltar.


Tiveste muitos amores,
De todos eles fui primeiro,
A começar e encerrar.
O verdadeiro e derradeiro beijo.

É que te amei até o fim,
Mesmo quando voavas livre.
No início fui teu protetor;
No fim, também sou.


O que foste minha borboleta?
Agora, um invólucro de quitina.
Oco, seco. Antes pulsava de vida,
Das asas te caem as escamas.
Esperança. Na amoreira, tuas filhas.
Ruas desertas e silenciosas,
O véu da noite me encobre.
Nos becos, vultos furtivos,
Trovadores, amantes, felinos.

Nas sarjetas os ratos,
Companheiros dos ébrios,
Apaixonados caídos em desgraça;
Humilhados pela vida.

Mas meu coração sofrido,
Ainda hoje sorriu,
De seus cacos reuniu-se.

A esperança continua,
No sorriso da amada musa,
Que livra-me de triste sina.

terça-feira, outubro 19, 2004

Olhe-me nos olhos agora,
Depois de tudo o que vivemos.
Transbordo de amargor,
Mas não és tu a culpada.

Anos solitários e frustrados,
Endureceram-me demais,
Secaram a fonte de amor
Que vertia de meu coração.

Agora me dizes que tudo acabou.
Desejo-te agora sorte nesta vida,
Pois o teu amado a espera lá fora,
Talvez quando virares a esquina.

Quanto a mim, resta a dor.
Não é nova, mas a mesma de anos,
Que nem mesmo tu foste capaz de curar,
Dando-me tanto carinho e atenção.

Sou esposo da solidão.
Conforto-me em ver-te feliz,
De minhas sombras densas,
Vagando na tristeza sem fim.

domingo, outubro 17, 2004

Faz tempo que caminho,
Milhas e milhas percorridas.
Gostaria de poder estar
No rumo de casa, só isso.

Cansei-me das batalhas,
Travadas contra os delírios.
Quero poder visualizar da colina,
A planície onde irei repousar.

Lutas em honra de uma dama,
Uma Dulcinéa de sonhos.
Iludi-me em cada caminho,
Por isso nada mais espero,
Exceto a Morte.

Quando saí pelo mundo a procurar,
Nem lembro-me mais o que,
As andanças fizeram-me afastar
Cada vez mais do lar.

E para trás foram ficando,
Todos os que eu amava.
E foram morrendo...
À distância, eu não percebia.

Sem destino, sem razão,
Vagando pelas estradas, sozinho.
Pelos campos, solitário.
Há tantos caminhos...

O Sol nasce e se põe,
Assim o tempo vai passando.
Estou perdido no nada.
Não há quem queira me encontrar.
Estou voltando ao meu lugar.
Encontro palavras empoeiradas,
Pensamentos esquecidos
E amizades afrouxadas.
Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo.
Minhas malas coloquei no chão, eu voltei.
Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou.
Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei.

Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei.

Fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro.
Todo meu passado iluminei, e entrei.
Meu retrato ainda na parede, meio amarelado pelo tempo.
Como a perguntar por onde andei e eu falei:

Onde andei não deu para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar.
Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei

Sem saber depois de tanto tempo se havia alguém em minha espera.
Passos indecisos caminhei e parei.
Quando vi que dois braços abertos, me abraçaram como antigamente.
Tanto quis dizer e não falei e chorei...
O Portão - Letra: Roberto Carlos & Erasmo Carlos

domingo, junho 20, 2004

A madrugada avança,
Já todos silenciam.
Mesmo os mais boêmios,
Sucumbem ao cansaço.
As emoções consumidas,
Como cigarros fumados,
Taças esvaziadas...
A vida é intensa.
Se desgasta, debasta,
Amor incandescente,
Derrete os corações,
Levando-os às cinzas.
Sopradas pelos ventos,
Desfazem-se por aí.
Então nada mais resta.
A noite se despede,
Leva consigo às ilusões.
Momentos felizes e pueris,
Onde parece tudo dar certo.
Até que são escurraçadas,
Contra o chão estilhaçam;
Em um grito de dor de parto,
Delas nos desfazemos,
E somem com o amanhecer.
É a hora de ir, chorar.
Não há mais porque sorrir,
Agora a alegria é morta.
Impiedoso e cruel carrasco,
Assim é a Realidade,
Batendo na porta a avisar:
O tempo dos sonhos acabou!
O coração vibra, melodioso.
Quer no amor fazer dueto,
A diva ele já escolheu.

Mas isso é segredo seu.
Ele não conta nome, nem quem,
É um amor delicado e cultivado,
Em um jardim secreto que desconheço.

Apenas sei que o ritmo mudou,
Anda cantarolando feliz.
Se pergunto o que aconteceu,
Responde-me com um sorriso.

E quando saio pelas noites,
Ele toma outro rumo, não o meu.
Se tento segui-lo pelas ruas,
Ele não chega a lugar nenhum.

Volta exalando um perfume
Que atormenta os apaixonados.
É o aroma de beijos ardentes,
Trocados, correspondidos, doados.

Ah, coração... Que me aprontas agora?
O punhal ardente enterrado,
Transpassando o coração.
Assim é a dor da traição,
Uma vil artimanha da vida.

Seu ardil maléfico,
Entregou minha cabeça.
Decepada em uma bandeja,
A frieza da prata maculada.

Apenas pergunto-me:
Qual o motivo para tal?
Provável, foi sem querer,
Num momento sem pensar.

De boas intenções
Asfalta-se a estrada do inferno;
A tragédia ensina,
Na vida só se erra uma vez.

segunda-feira, junho 14, 2004

Mais uma noite...
Às ruas, andarilho!
Sinta o frio vento,
Rasgar os pensamentos.

No candeciar das horas,
Sonhos sendo desfeitos,
Dos escombros renascendo,
Em multiformas possíveis.

Ande sem cessar!
Continua a eterna fuga,
Seja do amor que escapa,
Ou de si mesmo, com medo.

Delire febrilmente,
Vomite versos incandescentes,
Em cada esquina que passar,
Como o cão vadio que é!

Vou zombar de ti,
Andarilho das madrugadas.
Tenho dó e compaixão,
De quem não vive completamente.

Vai, excluído!
Embrenhe-se nas sombras.
Tente esconder-se do algoz,
Pois se te encontro...

Insignificante...
Espalhe por aí teus poemas,
A cada um que encontrar,
Dilacero entre os dentes.

Ah, se contigo esbarro,
Na cara te escarro,
As costelas quebro,
Em violentos pontapés.

Anda, anda! Corra!
Pois pior crítico não há,
Que aquele que te segue.
Eu, a tua própria sombra.
A vida têm tristezas,
Não há como evitar.
Nem sempre o sol nasce,
Ficamos sós na tempestade.

Então as lágrimas rolam,
Caem solitárias no escuro.
Não há ninguém para ouvir,
Muito menos se importando.

Entretanto não dura sempre.
Quando menos se espera,
A luz rompe as espessas nuvens,
Iluminando um corpo maltratado.

As chagas cicatrizam.
O tempo é santo ungüento,
Deixando apenas marcas
Profundas ou tênues.

Quando olho as cicatrizes,
Cada corte na carne,
Toda vez que o coração quebrou,
Ou que desfizeram-se os sonhos...

Em cada, uma história.
É a minha vida que conta-se.
Por elas já muito chorei,
Hoje delas eu sorrio orgulhoso.

domingo, junho 13, 2004

Noites estreladas de boemia,
De vinho, enchem-se as taças.
Os corações repudiados,
De amor sofrem, solitários.

No salão iluminado,
As brumas dos cigarros,
Encobrem rostos e feições,
Obscurecem os sentimentos.

O coração à noite congela,
Castigado pelos frios ventos,
A poesia endurece, encarquilha.
Não há paixão que resista.

Então, o grito de socorro
Emudece na garganta seca.
Não há quem ajude na desgraça,
Da solidão em noite enluarada.

sábado, junho 12, 2004

Tens os olhos mais belos,
Feitos para se admirar.
Escrevam sobre eles os poetas,
Transcrevam em versos, se possível.

Nem mais cito de meus sonhos,
Pois sempre lá estão. Vivos.
Não digo por repetitivo,
Numa roda que sempre gira.

Ah, tu me deixas tonto...
Por isso a razão perco,
Entre desvarios imaginários,
Desta monótona realidade.

Os caminhos do lirismo
Sempre me levam a ti.
Torno a repetir a dose,
Já nem mais dá para sentir.

Se eu te amo? Como dizer?
Mantido em animação suspensa.
Quando tenho chance, não vejo;
Quando vejo... Não há mais chance.

segunda-feira, junho 07, 2004

Se te quero, espero-te.
O tempo que for,
Da maneira que der.
Fico no caminho por ti.

Nesse oceano castanho,
Dos olhos misteriosos,
Algumas vezes tristes
Em muitas outras felizes.

Menina, de modos dengosos,
Como quem brinca, flerta.
Deste jogo quero participar,
Com altas apostas a pagar.

Por ti vale a pena aguardar,
No compasso da espera ficar.
Ainda que seja doloroso
Como andar entre as pedras.
A vida em um segundo,
Na fração de tempo
Que vai, nunca volta.

Em um instante apenas,
Tudo pode ser, nada é.
O momento é agora,
O depois é ilusão.

Por isso quero-te agora!
De qualquer jeito,
Em qualquer lugar,
Não importa a hora.

Se há de ser um beijo,
Um simples roçar de lábios
Num esbarrão fortuito,
Já dá para começar.

Quando dou as costas,
Quero mesmo é voltar.
Perde-me em teus olhos,
Para ao teu lado me encontrar

Quando embarco para casa,
Meu coração deixo na estrada.
Por favor, venha buscá-lo...
Não deixe a história se acabar.

domingo, maio 30, 2004

Quer mesmo saber?
Hoje não quero escrever.
Basta de palavras soltas,
Versos frouxos e perdidos.
Vem agora novo canto,
Espremido na garganta,
Despertar da revolta
Adormecida por anos.
Poeta em crise é um perigo,
Ameaça até a sombra,
Mostrando caninos,
Zombando até do amor.

Esse amontoar de palavras,
Escarradas pela pena suja,
Neste ecrán iluminado
Pelo choque de elétrons.
O que era belo,
Que fique feio.
O sentimento sublime,
Que se torne desprezo.
Bem disse o Augusto,
A mão que afaga
É a mesma que apedreja.

Então, que esperas?
Pegue a sua pedra,
Pois eu já peguei a minha.

quarta-feira, maio 26, 2004

Meu espírito quer descansar,
Em teus olhos castanhos,
Emoldurados pelo rosto sereno.

Caminhar por tua pele morena,
Entrelaçar-me em teus cabelos,
Em teus lábios me encontrar.

Mas não é só isso:

Quero ser teu porto seguro,
Que ao retornares de cada viagem
Encontres em mim baía protetora.

Te guardaria do mar bravio,
Durante as tempestades,
Sendo o firme cais aonde te fixas.

Juntos podemos alcançar estrelas,
Encontrar a tal felicidade,
Apenas nós dois, ninguém mais.

Ah, morena perfumada de flores,
És a praia paradisíaca ao sol,
Aonde eu quero viver.
"Si encuentras un amor que te comprenda
Y sientes que te quiere mas que nadie
Entonces yo daré la media vuelta
Y me iré con el sol cuando muera la tarde

Entonces yo daré la media vuelta
Y me iré con el sol cuando muera la tarde"

Media Vuelta - José Alfredo Jiménez
Tudo é questão de momento.
Para a felicidade e tristeza
É tudo relativizado,
Dependente do referecial.

Uma declaração de amor!
Sempre traz alegria.
Faz da dor, luz;
Da agonia, esperança.

Porém, se chega atrasada...
Encontra porta fechada,
Janelas lacradas
E ouve um: É tarde demais.

Quando meu amor chegou,
Teu coração olha outra direção.
Por mais carinho que tenhamos,
Nada acontece sem seu instante.

Portanto se hoje choro,
Minhas lágrimas molham o solo,
Culpa minha inteiramente,
Por ter errado o momento.
Olá, Solidão! Que bom te rever!
Afugentei-te à vassouradas,
Expulsei-a de meu coração.

É passado, seja bem vinda!
Perdoa-me os maus-tratos,
Rompantes de amor furado.

Ainda ris? Faça isto.
Zomba-me, bem que mereço
Todo o teu escárnio agora.

Vamos beber juntos de novo,
Afinal, és sempre companheira,
E comigo sempre estás.
Coração partido,
Em pedaços dividido,
Sangra lágrimas
Enquanto ainda sorri.

Sonhos construído e desfeitos,
Levados pelos ventos da realidade.
Sonhador... Imaginação infantil,
Ainda leva-me à total perdição.

Meu rival, em brilhante armadura,
Cavalga em corcel branco.
Teus olhos somente o vêem,
Fulgurando como astro-rei.

Eu, pequeno trovador,
Andarilho da noite,
Criatura das sombras,
Nada tenho, nem possuo.

Meu dom é tourear versos,
Domesticador de poemas sou.
O que é isso perante as façanhas
De príncipe dos contos de fadas?

Deixe-me encantar por tu,
Com teu jeito meigo de menina,
De delicado sorriso.
Quando falas, derreto-me.

Contudo, não arrependo-me
Em momento sequer.
Apesar de teu coração não alcançar,
E contra a parede me chocar.

quinta-feira, maio 20, 2004

Não há amor que resista,
Abandonado à própria sorte.
Necessita cuidados constantes,
Para que se mantenha florescente.

Mas quando o jardineiro,
Que habilmente o cultiva,
Perde a motivação...
Que triste final aguarda.

É largado no caminho,
Morre de inanição.
Sem cuidados, é atacado,
Por fim destruído.

A esperança agoniza,
Já não viaja em asas de sonho.
Jaz ao sol, secando.
Sobrevoam-lhes, ávidos, os abutres.

O odor pútrido da desilusão,
É o perfume que inebria.
Faze-os nas correntes bailar,
Em círculos no salão celeste.

Sinto o amargor da frustração,
Ainda assim ergo o brinde:
- A mais uma que se consumou,
Sirvam-se de meu coração, urubus!

quarta-feira, maio 19, 2004

A chama aos poucos se extingue,
A paixão nos momentos dissolve.
O amor nascente, seca lentamente,
Agonia dolorosa de sentimentos.

Lanço-me de novo ao mar,
Em busca de outras paragens,
Aonde minhas trovas sejam ouvidas,
Mas também respondidas...

Neste canto de despedida,
A tristeza dá o ritmo,
A desilusão, o compasso.
Ah, esperanças...!

Assim os laços afrouxam-se,
As pedras desencaixam.
O castelo de sonhos ruindo,
Espalha poeira na planície.

Ficam as palavras não ditas,
Os beijos não dados
E os carinhos não sentidos,
Até que o vento a tudo disperse.

Quando tudo termina,
A calmaria e silêncio reinam.
Junto os pedaços de coração,
Viro as costas e ao caminho retorno.

domingo, maio 09, 2004

Como um toureiro das palavras,
Travo uma dança mortal,
Onde um erro ou delize é fatal.

O inimigo não subestimo,
Enfrento-o com cautela,
Guerreio tenazmente.

A cada estocada da espada,
Jorram letras em sangue,
Nasce um verso da ferida aberta.

Vencida a batalha feroz,
Recolho as flores jogadas pela dama,
Que entre sorrisos saúda-me,
Honras para o audaz guerreiro.

sábado, maio 08, 2004

Como descrever a magia de um beijo?
Adentrar em mistérios delicados,
Frágeis tais como os flocos de neve.
É filosofar tolamente.

De suave e sutil toque
Ou sensualmente violento;
Beijar é uma arte,
Não só tocar lábios.

Romântico, apaixonado,
Molhado, saboroso.
Qualquer que seja o tipo,
De olhos abertos ou fechados.

Cada beijo tem sua alma,
Nasceu em um momento,
Dura o tempo suficiente,
Para morrer adocicado.

Beijo não é só beijar,
É fato, ato, luz e clima.
Assim como não se coleciona,
Também não se guarda. Usa-se.

Beijo contagia.
Basta que um apareça,
Para inúmeros outros
Surgirem como estrelas.

Não adianta buscar o perfeito.
Cada um é de um jeito,
Moldado com língua e sentimento,
Cada um é único e soberbo.
Em minhas andanças por essa terra,
Que é populosa e árida,
Pois cada qual carrega seus problemas,
Alimentando tantas ilusões,
Encontrei e fui encontrado,
Virando uma esquina perdida,
Esbarrei ou fui esbarrado?
Já não lembro.
Mas gravou-me para sempre,
O sorriso que me lançaste,
E as palavras que me disse.
Andava distraído,
Lançando minhas trovas.
E ia por caminhos ermos.
Agora, carrego tua lembrança,
Meus versos tem destino
E o meu coração, dona.
Contudo, a vi somente,
Numa noite escura e nebulosa,
De teu rosto não sei traço.
Os dias foram passando,
Em minha mente confusa neguei,
Parece loucura isso acontecer,
Apaixonar-me assim por ti.
Se é assim ser louco,
Amarrem-me à camisa-de-força,
Pois não quero ser curado.
Se estivesses aqui...
Meu sorriso seria perene,
Já não mais dependeria,
De ilusões vãs, pois viveria em sonho.

Se eu pudesse alcançar-te,
Sentir aqui o teu corpo,
O delicado aroma de tua pele,
Inebriando-me de amor.

Ah, se estivesses aqui...
Não seria a Musa de devaneios,
Mas a mulher real e completa,
A quem sempre me dedicaria.

domingo, abril 25, 2004

Chuva que molha a madrugada,
Espanta todos os boêmios.
Encobre a noite de nuvens,
Entristece o coração dos jovens.

Cai intermitente, sem dó.
Qual cão abandonado,
Em pé numa esquina estou...
Pobre alma apaixonada.

A hora é avançada,
Poucos veículos passam.
As casas dormem, silêncio,
Pessoas com endredons se aquecem.

Minhas roupas ensopadas,
Grudam no corpo
Em abraço desesperado,
Como se não quisessem me perder.

Estou imóvel na calçada,
Firme como o poste sobre a cabeça,
Com sua luz amarelada,
Estendendo minha sombra no asfalto.

Chove em ritmo contínuo,
Chega a ser monótono...
A água escoa para os bueiros,
Meus versos são arrastados com ela.
As ondas sopradas pelo vento
Trazem na velocidade da corrente,
Pedaços de sonhos e desejos.

Rolam na areia quente,
Queimando ao sol abrasante,
Que ilumina meu espírito indócil.

Na praia ficam perdidos
Os sentimentos de amor,
Os versos apaixonados.

Ao sabor da incerteza,
Diluem-se com o plâncton,
Transformando-se em nada...

Desaparecm o sabor e a cor,
Restam os osssos secos
Do amor que não foi.

quinta-feira, abril 22, 2004

"O homem gosta de contabilizar problemas, mas não conta as alegrias"
Dostoiévsky
Andarilho noturno que sou,
Sigo pelos becos e vielas,
Misturando-me as sombras,
Procuro não me mostrar.

Enquanto a cidade dorme,
Caminho ligeiro, destino incerto.
Embaixo das janelas das damas,
Paro e deixo minhas ofertas.

Pelos cantos, escondido,
Prossigo meu passeio.
A cantinela infinita,
De amar e não ser amado.

Sina de poeta romântico.
Regozija-se com a tristeza,
Suas lágrimas são néctar,
Suas dores é que o motivam.

Sou parceiro da Lua,
Levo-a sempre comigo,
Acompanha-me a todo lugar,
Ilumina-me nas trevas.

Enfrento as frias brumas,
Minhas vestes cobrem-se de orvalho.
Nos lábios trago o sabor do vinho,
Transbordam de versos a minha taça.

Nas tabernas divirto-me,
Reencontro tantos amigos,
Bebemos às desesperanças
E contamos histórias de amor.

A noite avança com pressa,
Quer encontra-se com seu irmão, o dia.
Contudo ela sempre morre
Ao ser atingida pelo primeiro raio de Sol.

E assim acaba-se a ronda,
Recolho-me as minhas fantasias,
Durmo pensando em ti.
Em meus sonhos te tenho, Musa.
Caminhas por entre meus pensamentos,
Invadindo minhas divagações.
Sempre tenho-te perto de mim,
A cada momento, a todo instante.

Minha retina mantém gravada,
Tua imagem bela e sorridente.
Recuso-me a esquecer,
Ainda que possa vir arrepender-me.

Por que alimento-me de sonhos?
As impossibilidades me confortam?
Machuco-me por nada realizar...
No caminho fico, sentado a chorar.

São lágrimas derramadas
Aguando as pequenas margaridas,
Que nascem aonde seus pés pisam.

Desta aura onírica que te permeias,
Ilumina minhas poesias toscas.
Manancial inspirador, dá-me as letras
Que as organizo nos versos que te ofereço.

Carinho recebo na tua voz,
Macia, sussurra-me na noite,
Embalando-me em meus devaneios.
Já não sei quando sonho.

Sei que és real. Toco-te e sinto.
Assim como meus poemas lês.
Entretanto estás distante,
A sombra do rival está presente.

domingo, abril 11, 2004

Boa noite! Feliz Páscoa a todos! Com alegria pelo Cristo ressucitado, que outra vez está entre nós!


Descida da Cruz de Rembrandt (1634) - Museu do Hermitage

Após quarenta dias de meditação, contrição e preparação para a Paixão do Senhor, alegrem-se todas as criaturas da Terra, pois aquele que havia morrido cumpriu Sua promessa e ressuscitou ao terceiro dia! Vencendo a morte e eliminando o pecado do mundo.
E é com este sentimento que desejo a todos uma excelente semana!
Aquele que planta ventos, colherá tempestades...
Pelas noites tenho andado,
Seguindo nas vielas e becos,
Com meu olhar oitocentista,
Com tabernas e janelas enluaradas.

Mas hoje será diferente,
Caminhando pelas ruas,
Vejos sob marquises e teleiros,
Sacos e montículos agrupados.

Passaria por lixo do dia,
Contudo, ali dorme, encolhido,
Coberto com saco plástico,
Um outro homem como eu.

Ao seu lado uma carroça,
Movida à tração humana.
É a garantia do parco sustento.
Um cão magro monta guarda.

Os carros correm velozes,
Ao verem minha sombra
Mais rápido passam, com medo
Escondendo-se com vidros negros.

Jovens alegres e alcolizados,
Voltam das baladas divertidas,
Fazendo pegas e zoando.
Passam pelo mulambo que dorme e...

Meus passos avançam rápido,
Deparo-me em uma esquina mais escura,
Recostada a um poste cinzento,
Uma silhueta sinistra espera clientes.

Um dos veículos pára,
Em uma rápida troca de objetos,
O traficante leva seu dinheiro,
O motorista as suas drogas.

Cruzo por ele sem elevar os olhos,
Evitando qualquer maior contato.
Olha-me desafiadoramente,
Mas escapo do conflito.

Minha capa está manchada,
Das impurezas que preenchem a noite.
De podridão humana
Torna-se fétida minha poesia.

Sou um andarilho e continuo.
Atravessando uma praça silenciosa.
Nos bancos, pequenos corpos sob a luz fria,
Enrolados em trapos imundos.

Suas formas são de crianças,
Mas a realidade endurece o coração.
Até os mais mansos são dobrados,
Seus olhos destilam agressividade.

A cidade ainda não submergiu nas brumas,
Nas avenidas movimentadas
A prostituição fervilha com vai-vem,
Corpos em exibição contínua.

Homens e mulheres infelizes,
Vendendo suas carnes e dignidade,
A título de sobrevivência,
Vivendo no limiar da violência.

No véu roto da escuridão,
Há fome e miséria,
Desilusão e amargura,
Nas lágrimas solitárias.

Pois ainda há quem chore,
Escondido pelas trevas,
Não demonstra sua fraqueza.
Há fragilidade nestas fortalezas.

Meu coração encolhe-se,
Envergonhado por não ver,
Noite após noite, incessante,
Em todas essas caminhadas.

Assim são as noites...
Sem romantismo ou lirismo.
Estes existem na pena do poeta,
Transfigurador da realidade.
Escombros, fumos negros,
Casas em chamas, destruídas,
Desordem e caos reinam,
Na terra desolada.

Nas torneiras, nem água.
Nas mesas, serve-se o que há.
Não há luzes na cidade,
Exceto os lumes das velas.

Cadeiras vazias, salas desertas.
Era um dia uma escola,
Hoje suas paredes crivadas, rachadas,
Exibem as marcas dos projéteis.

Os gritos desesperados,
Transbordam ódio,
Em meio à turba,
Buscam um culpado.

Entre tiros e explosões,
Nada vale uma vida.
Mais um na estatística
Das baixas de guerra.

Vieram do Oeste, reluzentes,
Cavalgando blindados,
Nas asas dos aviões,
Trazendo dor e destruição.

Seus líderes ficaram lá,
Além do oceano, bem longe.
As areias escaldantes
Servidas com prazer aos marines.

Pela estrada segue o comboio,
Guarnecido de militares, será emboscado.
Morte... Pobre John, que pode ser
Ramirez, Paolo ou Gorky.

Em resposta ao ataque,
Dos céus chovem mísseis cruiser.
Maldições no lugar das bençãos,
Pedidas nas orações às sextas.

Mais sangue inocente
Derramado no solo fervente.
É avidamente bebido
Pelas legiões entre as fileiras.

Seu nome era Hassam,
Mas podia ser Mohammed ou Ali.
Estava no quarto e dormia.
Agora é um retângulo no chão.

Os soldados da coalizão,
Cobertos de soberba e razão,
Estão cegos, em meio ao rancor,
Travando uma guerra insana.

Para quem lidera, é santa.
Cruzada ou Jihad?
Não importa a denominação,
Apenas não há motivos.

Os iraquianos anseiam soberania,
Os invasores, o ouro negro.
Os nativos suas casas protegem,
Os outros, se perguntam: Que fazemos aqui?

A violência em escalada,
Surgiu por um caprocho,
De um líder frustrado, maníaco,
Que por trás da mesa em Washington
Empurra mais e mais jovens para a Morte.
Almas felizes, corações em júbilo,
Assim são as desejadas noites.
Quando estamos enlaçados às musas,
Caminhando entre devaneios.

Pois amar, assim o é:
Ter sonhos realizados,
Sorrisos entre as palavras,
O espírito coberto de alegria.

Ah, sentir o delicado toque,
Entre carícias e beijos,
Em um carrossel de emoções,
Embalando por inteiro o casal.

Rodopiam a dançar,
A melodiosa sinfonia,
Compassada nas batidas
Das criaturas apaixonadas.

Como é delicioso sonhar,
Melhor ainda é viver.
E cada vez que olho-te,
Vejo o derradeiro dia chegar.

domingo, abril 04, 2004

Como quero te amar...
Apenas isso que desejo.
Para isso é que escrevo,
Tantas trovas para ti.

Todas tem destino certo,
Rumo ao teu coração incerto.
Porém, minhas palavras são em vão,
Ficando muitas pelo chão.

Sonhos despedaçados,
Escombros na derrocada,
Espalham-se pela terra,
Com seus grãos levados pelo vento.

É mais forte do que eu,
Impossível controlar,
O vazamento de versos,
Que teimam em brotar.

Cada vez que vejo teus olhos,
Minhas esperanças renascem,
Meu coração torna a brilhar.
Pois tu és minha inspiradora.

Se minhas poesias são belas,
Odes de amor incompleto,
São frutos deste afeto,
Que há muito nutro por ti.
Os anos estão passando,
Alguns ligeiros, outros rápidos.
As noites sucedem-se,
Umas com lágrimas, outras com sorrisos.

Os amores acumulam-se,
Juntam-se desilusões.
Renascem esperanças,
Aumenta a resignação.

Muitos foram os momentos de fraqueza,
Em tantos outros fui o mais forte.
Assim foram passando-se horas,
Até alcançar um ano.

(Em março de 2003 resolvi sair pelas noites, estreladas ou nebulosas, cantando e contando poesia...)

quarta-feira, março 31, 2004

Requiem para um sonho democrático

Quarenta anos esta noite,
Aniversário macabro,
De acontecimento funesto.

Naquela noite de outono,
Todos pensavam fazer a coisa certa.
Iniciava-se a gestação do Mal.

Mergulhando o país nas Trevas,
Insanidade política e social,
Colheu todos de roldão.

Não havia mais limites,
Tudo era justificado,
Inclusive irmão matar irmão.

A bandeira ficou tingida de vermelho,
Entretanto não era dos comunistas,
Era sangue brasileiro e inocente.

Juventude perdida,
Velhice esquecida.
Um país insano e acuado.

Quarenta anos esta noite,
Os sinos anunciam a Queda
E o início da Missa Negra.

domingo, março 28, 2004

PROCESSO CRIATIVO


Cópia fac-símile do original

Hoje lembrei-me de vocês,
De quanta falta fazem,
Deixando a casa vazia,
E meu coração desfalcado.

Vejo-os juntos, amando-se,
Irradiando sobre nós este amor.
Me vêm também sozinhos,
Momentos distintos que passamos.

Entre carinhos e até brigas,
Éramos completos e felizes.
Agora sobraram lembranças,
E lágrimas ainda doídas.

Mãe... Pai... Aonde estão?
Estejam aonde estiver, (juntos espero...)
Imagino a saudade que sentem,
Pois é a mesma que sinto de vocês...

Impossível continuar.
Boa noite queridos leitores, minha prezada audiência. Fiquem neste momento com o sucesso de Roy Orbinson, Crying.

I was all right for a while,
I could smile for a while
But I saw you last night,
you held my hand so tight
As you stopped to say "Hello"
Ah you wished me well, you couldn't tell

That I'd been crying over you,
crying over you
Then you said "so long"
left me standing all alone
Alone and crying, crying, crying, crying
It's hard to understand but the touch of your hand
Can start me crying

I thought that I was over you but it's true, oo so true
I love you even more than I did before
but darling what can I do
For you don't love me and I'll always be

Crying over you, crying over you
Yes, now you're gone and from this moment on
I'll be crying

I thought that I was over you but it's true, oo so true
I love you even more than I did before but darling what can I do
For you don't love me and I'll always be

Crying over you, crying over you
Yes, now you're gone and from this moment on
I'll be crying

crying, crying, crying
Yeah crying, crying, crying over you

sábado, março 27, 2004

Palavras no ar,
Levadas pelos elétrons,
Através dos satélites,
Nas asas dos fótons.

Versos expressos no éter,
Ficam nesta taberna virtual,
Situada em uma viela escura,
À direita do terceiro capacitor.

Pulsos magnéticos lidos,
Impressos na superfície do disco,
Em um frio servidor,
Aquecendo corações doídos.

A pena do Trovador são teclas,
Sua melodia está em .mp3,
Entretanto ainda sai pelas noites,
Deixando seus bilhetes no e-mail.

No lugar do costumaz papel,
Poemas editados em software,
Dispersos na internet,
Como as sementes de paineira.

Flutuam em todas as direções,
Levando-me em pedacinhos,
Pousam no seio da Amada,
Desejando apenas brotar.

sexta-feira, março 26, 2004

Chorai Guerreiro,
Dai-vos o direito,
E às vossas lágrimas rolar.

Não disfarçais o estrondo
Dos castelos de sonhos ruindo,
Do coração despedaçando.

Lamentai vossas dores,
Mas tratai das feridas.
Confiai todo o resto a Deus.

O orvalho da tristeza,
Umedece meus versos,
Borrando a tinta,
Tornando-os lamuriosos.

Ah, Solidão...
Pensas que me pega?
Já fugi de tuas garras,
Pelo menos desta vez.

Em tuas aramadilhas
Já não mais caio,
Pois conheço os ardis
Que costumas usar.

Portanto, derramo meu pranto,
Durante toda a noite chuvosa.
Toda a dor certamente passará,
E no amanhecer o Sol surgirá.

Esperança. Afinal, sou o Farol.
Que brilha através das névoas,
Servindo de sinal e caminho,
Sempre sabe-se aonde o encontrar.
"Listen! My heart is crying..."

domingo, março 21, 2004

Num esbarrão fortuito,
Meus lábios tocaram os seus.
Teu calor emanou em mim,
Incendiando meu desejo.

É a rachadura na represa,
Que retém o oceano de sentimentos.
Agora jorram pelo vale,
Através de nossos beijos.

Elétricos, nervosos,
Compulsivos e delicados,
Procurando-se nos meandros,
Das bocas apaixonadas.

Já não é possível segurar,
Nem fingir não te querer.
Não consigo soltar meus lábios,
Nem os quero longe dos teus.

Sentir seu gosto pueril,
Beber teu sabor doce,
Desses lábios de rosas,
Orvalhadas na manhã.

Permita-me a Providência,
Que este sonho outonal,
Realize-se em breve,
Antes do inverno de minha vida.
Boa noite meus visitantes. Realmente tem cada coisa inútil na internet... Abaixo segue a descrição de meu beijo segundo um desses testes on-line.

mysterious
You have a mysterious kiss. Your partner never
knows what you're going to come up with next;
this creates great excitement and arousal never
knowing what to expect. And it's sure to end
in a kiss as great as your mystery.


What kind of kiss are you?
brought to you by Quizilla

E aí? Existem voluntárias para gerar resultados concretos para essa pesquisa? Contacte-me por e-mail. :-D

sábado, março 20, 2004

Já não consigo conter,
Esta inundação que toma-me.
Quero cobrir-te de beijos,
Palmilhar teu corpo de carícias.

Já não me importam as pessoas,
O que dizem ou acham.
Interessa-me ter-te,
Inteiramente para mim.

E por essa paixão,
Torno-me audacioso.
Pois a tomo nos braços,
Sem a deixar escapar.

Meu espírito fica corajoso,
Enfrentando meus receios,
E a timidez que me assola.

Olho em seus olhos,
Minhas pupilas flamejam.
É o desejo ardente que consome.

Venha minha Amada!
Quero completar-te,
Não fujas quando te clamo.

Quero ser para ti,
O ombro amigo que consola,
O ouvido compreensivo.
E teu parceiro nas alegrias.

sábado, fevereiro 28, 2004

Estou aqui e nem olhas para mim,
Volta-me teus olhos doces,
Recobre-me com o teu amor,
Preenche o vazio de meu coração.

Meus lamentos e súplicas,
Voltam-se para ti todas as noites,
Quando assolam-me a tristeza e solidão.
Tenho andado tanto em trevas...

Ilumina-me e dá-me esperança,
Aquecendo o vento frio.
Será que não vês o quanto te amo?
Será que demonstro isso a ti?

Preocupando-me tanto com meu mundo,
Pedindo-te tanto carinho e ternura,
Entretanto quantas vezes te ofereci?
Se nas tuas lágrimas, eu não estava.

Egoísta e ingrato, é o que sou.
Pois tanto me dás, mas quero sempre mais.
Como uma sanguessuga de sentimentos,
É assim que me comporto.

sábado, fevereiro 14, 2004

Vibram as cordas do bandolim,
Enchendo de estrelas o ar.
A batida leve do pandeiro,
Dita o ritmo deste sabor malandro.

São os violões sensuais ao luar,
Com suas maravilhosas vozes,
Em perfeita harmonia
Na cadência da melodia.

Na música alegre e pueril,
Com gosto de noite e boemia.
É a festa dos instrumentos;
Sambam a flauta e o violino.

Tens o nome de choro,
Mas nada remete à lágrimas.
É a música da amizade,
Do gingado e da leveza.

Nada tens de triste,
Segue pelo tempo, alegrando-nos
Sem envelhecer ou morrer.
É o som da virtuose brasileira.

Abraçaram-te Chiquinha,
Jacob, Nazareth, Villa-Lobos.
Altamiro e o Pixinguinha,
Além dos anônimos que moldaram-te.

Faze-nos ficar Carinhoso,
Ao lembrar do Odeon, Naquele Tempo.
Na dança da morena Brejeira
Com gosto de Doce de Côco.

Não há tristeza que resista,
Nas notas que trazem sorriso.
A esperança infantil renasce,
Na suavidade da roda de chorinho.


(Quem já foi sabe. Uma roda de Choro é como fazer o Sol participar da deliciosa noite. São mais de 150 anos de um ritmo genuinamente nacional)
Parem os murmúrios,
Cessem as reclamações.
Estás frustrado?
Cabe a ti mudar.

Não encha-me os ouvidos,
Entristecendo-me ainda mais.
Olhe ao seu redor,
Há tanto o que comemorar.

Se estás vivo e saudável,
Com amigos e forte;
Entre parentes e amores,
Alegra-te com as dádivas.

Não busque a infelicidade,
Ela encontra quem a procura,
Mas perde-se dos que a enfrentam,
Fugindo apavorada dos alegres.

Ainda que o mundo esteja cinzento,
Sempre existe uma nesga de cor.
Vivemos uma pintura impressionista,
Desde que queiramos assim ver.

Se o trabalho te atormenta,
Ou o coração solitário te aflige.
É o salário que falta no mês,
A falta de sensibilidade de todos.

Bem disse um poeta:
O mundo precisa de ternura.
Faça da delicadeze sua meta,
Verás que o sorriso é mais fácil.

Não lamente ou lamurie.
Se há motivos para chorar,
Muitos outros ainda existem
Para o espírito alegrar.

(Nas atribulações que enfrentamos neste mundão, envolto na pressa e na loucura, muitas vezes nos esquecemos de como estar aqui, neste momento, é maravilhoso! E quando estamos feridos, fechamos sobre os nossos machucados e esquecemos que existem tanta coisa para alegrar nosso espírito.)
É o tempo da alegria,
Sol brilhante no coração,
Dos olhos iluminados,
Irradiando a luz do espírito.

Nada mais de lágrimas,
A Felicidade vem chegando,
Em mim quer fazer morada.
Solidão bate em retirada.

As noites são aquecidas,
A brisa que me acaricia,
É morna e macia,
Como o toque da Musa.

Enfim chegou a minha vez,
Tenho todo o direito,
Quero realmente ser feliz,
Estar inteiro e realizado.

Se assim desejo,
Agora posso alcançar
O sorriso eterno,
Que não depende de paixão.

domingo, fevereiro 08, 2004

Noites de amores,
Corações felizes,
Aquecidos um no outro,
Abrigados entre si.

Pelas esquinas iluminadas,
Lábios a se beijarem.
Em meio aos sorrisos,
Nas sombras os carinhos.

O luar envolve os apaixonados,
Aproximando-os cada vez mais.
O ar está perfumado, preenchido,
Com o aroma do amor.

Até meu espírito ranzinza,
Regozija-se com todos.
O mundo ainda é bom,
Enquanto houverem os amores.
O que se passa em mim?
De onde vem essa fúria,
Crescente e crescente,
Prestes a todos varrer?

O que os anos de rejeição,
Ironias e escárnio,
De chacotas e desilusões,
Fizeram em minha mente?

Quando adentro neste reino,
Meu lado sombrio, negro,
Assustome com o que vejo,
Com as criaturas que bele vivem.

É um precipício profundo,
Inundado de mágoas e dores,
Aonde sempre é noite,
Cheia de sentimentos ruins.

Aproximo-me da borda,
Temendo mergulhar.
Assim vejo as borbulhas fétidas
E delas tento compreender.

Mas já não é suficiente,
O momento se aproxima.
Deverei enfrentar o Mal,
Todo este lado em sombras.

Deverei encarar meus medos,
Debelar minhas dores,
Curar minhas feridas,
Para realmente saber quem sou.
É dor, sim é a dor.
Dilacerando a alma,
Arrancando as camadas do corpo,
Descascando-me como a uma cebola.

Que chora ardentemente,
Ao ter destroçado o espírito,
Despedaçado nas rochas agudas,
Dos desfiladeiro da tristeza.

As sombras devoram cada pedaço,
Em diabólico festim,
Banqueteam-se felizes,
Enquanto ardo em dores.

O que sinto carcomendo-me,
Qual a mais vil das doenças,
É o coração secando,
Ao forte vento da solidão.
São dores o que eu sinto?
Ou apenas melancolia?
Minha vida cheia de fantasmas,
Assustam-me no escuro da noite.

Quando o sol se despede,
Parece que não voltará.
Vejo-me imerso em trevas,
Com as estrelas no céu a brilhar.

As horas amontoam-se,
Meus sonhos são assombrados,
Na enorme cama encolho-me.
A sós com a solidão.

Com seus dentes cinzentos,
Gargalha alegremente,
Acompanhando-me nas sombras
Que adensam-se no quarto.

Pela janela aberta,
O sopro gelado da tristeza,
Completa o funesto quadro
De um esquizofrênico pintor.

Meu coração dói,
O espírito é atravessado por espinhos.
Na noite escura e solitária,
Lágrimas e soluços.

Ao leste surge a esperança,
Cavalgando nas luzes da aurora,
Afasta de mim a dama de negro.
E no raiar do dia meus fantasmas se vão.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

TESTAMENTO

Esta é a última noite.
De tantas que já vivi,
É chegado o derradeiro momento,
De preparar meu Requiem.
Estas palavras que dito,
Não há nenhuma especial,
São vontades de falecido,
Que alguém cumpre se quiser.
Não desejo lágrimas,
Já bastam todas as minhas;
Quero vinho e festa,
Narizes vermelhos, feições embriagadas,
Quando o corpo à terra baixar.
Se passo pela vida,
Sem marca importante deixar,
Realmente não lamento,
Será apenas mais um sonho
Dos muitos que não vão se realizar.
Foram tantos e tantos,
Impossíveis de contar,
Como os grãos de areia da praia,
Em que uma vez me fiz ao mar.
Não posso mais voltar,
Do caminho me perdi,
Há muito tempo atrás.
No mar da esperança,
Confiando sempre que iria mudar.
Enfrentei algumas tormentas,
Nem tão fortes como sempre achei.
Houveram tempos de bonança,
Bons ventos e boa pesca.
Entretanto na maior parte do tempo,
Encontrei a odiosa calmaria,
Que faz as horas passarem lentamente,
Minando toda a vontade,
Enlouquecendo aos poucos.
Muito tarde foi que descobri,
Quem faz o barco navegar,
Somos nós que sopramos as velas,
Fazendo o rumo mudar.
Deixa para lá, não quero que a poesia,
Torne-se enorme ladainha.
Meu testamento literário é este,
Portanto tentarei ser breve.
Breve como a gota de chuva, fugaz,
Essa que tanto me atrai.
Almejei tanto a claridade,
Mas a noite vem sempre ter comigo.
O sol vejo esporadicamente,
As sombras as tenho eternamente.
Bem, é a hora da partilha,
Para quem deixarei meus bens,
O que tenho de mais precioso,
Não passam de trastes para outrem.
Esse poema indecoroso,
Chega por fim ao sonhado auge,
A pena quer silenciar,
Ao apagar das velas.
Para ti, Lua companheira,
Deixo minha eterna gratidão,
Pois iluminaste minhas tristezas,
Com teus cabelos prateados.
Às minhas irmãs Estrelas,
Pela sua compreensão,
Em acalentarem-me na solidão,
Por receberem meu pranto,
Pago com minha eterna devoção.
A vocês, Sombras noturnas,
Deixo meu coração desgastado,
Que tanto almejaram.
Alimentem-se fartamente.
Aos companheiros de taberna,
Nas horas de boemia,
Deixo-lhes as finas taças,
Sirvam-se de meus vinhos,
Com condição de nunca abandonar,
Os lamentos e alegrias da Poesia.
E a tu, minha querida Noite,
Tanto te adoro quanto temo,
Com seus incontáveis mistérios,
Esconde a todos no véu da escuridão.
Que mais posso deixar para ti,
Além do meu espírito errante,
Que não encontra pouso ou descanso?
O aceite em teu seio,
Para que o corpo durma em paz,
É o que mais desejo,
Viver em ti eternamente.
Minhas adoradas Musas,
Não, não as esqueci.
Vós me sois tão especiais,
Que as deixei para o grand finale!
Quem tanto me inspirou,
Mereceis o que tenho de melhor;
Deixo-vos todas as minhas trovas,
Até as ainda não escritas,
São canções amorosas,
Declarações eternas e momentâneas,
Por vós abrilhantadas.
Nada mais justo então,
Que as recebeis e guardai se interessar;
Ou as espalhem por aí, ao ar.
Façam o que quiser.
É o momento de encerrar.
O "Dies Irae" já se foi,
Minha Missa dos Mortos
Se encontra no "Agnus Dei".
Minha boca irá se calar,
Meus sentimentos silenciar.
A pena irá repousar,
Sem mais arranhar o papel.
São as últimas notas,
Nos reflexos dos estertores.
Já estou cansado,
Meu tempo se esgotou,
Aqui encerro meu epitáfio,
Cujo resumo escrevi há quase dez anos.
Vai escrito na mais fria lápide,
Com mármore de desilusão.
Adeus amadas de minha vida,
Perdoa se não as alcancei.
Tentei. Ah, isso eu tentei!
Se não fui feliz, não as culpo,
Ninguém rasura a escrita do Destino.
Enfim, o derradeiro silêncio...
A casa vazia me pergunta,
Nos cantos escuros não há ninguém.
Para onde foram todos?
Aqueles com quem partilhei a vida.

No silêncio sepulcral,
Iterrompido pelo rádio teimoso,
Ou pela televisão barulhenta,
Não vejo mais nenhum rosto.

Ainda ontem caminhei pelas ruas,
Onde todos nós havíamos passado,
Uma inútil tentativa de encontrar,
Aqueles que não mais aqui estão.

A impressão do vazio,
De se viver no Nada,
Preenchido de sonhos passados.
Aonde tudo cheira a nostalgia.

Um a um foram partindo,
De modo abrupto, batendo a porta;
Outros foram melancolicamente,
Saindo em pequenos passos.

Alguns por aqui ainda se demoraram,
Mas todos foram levados.
Resistiu apenas o gotejar,
Das lágrimas na noite.

Por que partiram?
Deixando-me por aqui,
No momento que preciso de alguém,
Para me convencer que tudo acabará bem.

Minha senda é solitária,
A isto devo me acostumar.
Aceitar que nasci sozinho,
Portanto morrerei só.

(Triste assumir que somos ilhas...)

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Sempre me vens em sonhos,
Tão real que consigo te tocar,
Aspirar ao teu perfume,
Acariciar os teus cabelos.

O calor do corpo, irradia,
Deixando-me em brasa.
Os sentidos à flor da pele,
Sensíveis a mais fina sensação.

Em tuas curvas me perco,
Somente assim te encontro.
A noite fica mais brilhosa,
Como pontilhada de diamantes.

Alcanço o teu sorriso,
Abraçando-o com meus lábios.
Guardo tudo na lembrança,
Descrevendo uma poesia.

Assim novo presente te oferto,
De tantas palavras a ti dirigidas.
Nada mais espero em troca,
Além dos instantes que me proporciona.
Nada mais me importa,
Chega de esperanças falsas,
De esperar por quem não vem.
Desisto de ser o Bobo.

Viro as costas para a corte,
Chega de ser palhaço,
Ou tratado como tal.
Tenho sangue circulando.

Meus olhos estão frios,
Minha paciência se esgotou.
Vão todos para o Inferno,
Que o diabo lhes carregue.

Finalmente vou gargalhar,
Neste circo de lágrimas,
Agora posso aplaudir
Todos que trataram-me como bufão.

Ser bonzinho não leva a nada,
Só aumenta suas expectativas sobre mim.
Raios! Sou humano, sou frágil,
Não quero mais chorar, mas odiar.

Vou renascer destas cinzas,
Abandonando a pele de cordeiro.
Serei o lobo cruel, que destrói,
Sem remorsos, por instinto natural.

(Minhas noites não andam muito boas...)

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Luzes da aurora,
Horizonte avermelhado,
Em céu de poucas nuvens,
Clareando em azul intenso.

A maré está ideal,
O vento brando e perene,
Infla as velas brancas,
Do coração navegante.

As amarras estão soltas,
O cais vai ficando distante,
O rumo já está traçado,
A alegria toma o meu ser.

Minha jangada frágil,
Vai vencendo as ondas,
Ao balanço da brisa
Que sopra para o mar.

Agora vou viajar,
Nada mais me segura.
A vida me sorri faceira,
Reconhecendo quem a sabe amar.
As ondas rolam, espumantes,
Sobra as areias claras,
Pontilhadas de estrelas,
Na noite de verão.

A brisa noturna, macia,
Roça-se nas palmeiras,
Em dança sensual,
Num luau silencioso.

A cantiga do pescador,
À porta da tapera iluminada,
Entoa rimas de amores,
Que se perderam no mar.

Sozinho a tão tarda hora,
Humildemente sorri.
Amanhã o vento altera,
É a vez da jangada ao mar.

Confia no Menino Jesus,
A maré irá mudar;
Rogando a Nossa Senhora dos Navegantes,
Sabe que rede cheia trará.

Suas preces as ondas levam,
À caprichosa Rainha do Mar,
Seus sentimentos seguem soltos,
Soprados pelas correntes de ar.

domingo, janeiro 18, 2004

A tive por momentos em meus braços,
Com teus lábios tão próximos de mim,
Que em êxtase deixei-me levar.

Avancei desvairado,
Como se fosse a última chance,
De longamente te beijar.

A música nos envolveu,
Elevando-nos da realidade.
Pouco importava na hora,
Que a melodia fosse chata.

Novamente senti o calor de teu corpo,
Aspirei o perfume que teus poros exalam;
Mergulhei nos olhos charmosos que tens.

Nos caminhos de teus lábios rosados,
Perdi-me prazerosamente,
Sem vontade de voltar.

Em carícias te possui,
Fazer-te feliz, consegui,
Por alguns instantes.

A música acabou,
Na noite nos separamos,
De meus devaneios voltei.

A timidez novamente me venceu,
Pois os beijos foram fantasia.
Em minha mente atordoada,
A vi tenramente me aceitar.

sábado, janeiro 17, 2004

Adeus sonho...
Como foi bom te viver,
Acompanhar cada acorde,
Dramático e profundo.

A realidade bate à porta,
Exigindo sua entrada.
Agora tu vais embora,
Para se empoeirar no coração.

Minhas lágrimas de despedida,
Umedecem o papel rabiscado,
Com palavras desesperançadas,
Pinceladas de melancolia.

Sonho... Adeus!
Vais, antes que mais me atormentes,
Antes que sofrimentos me aflijas,
Fazendo-me sangrar o coração.
Assim quis o destino,
Que esse insensato Trovador,
Não gozasse jamais,
De sorte no amor.

Não me priva de apaixonar-me,
Mas nunca se materializa,
Vivendo sempre a colher sonhos,
Plantados inutilmente no vapor.

Se para isso a vida não me sorri,
Nada não! Não esmoreço.
Nem jamais desisto, mesmo que sofra,
Continuo tentando, ainda que doa.

Aos tropeções, em saltos,
Caminha meu coração.
Agora talvez deva voltar,
Para minhas noites em sombras.

Este sonho parece-me,
Ao fim ter chegado,
Assim como a noite,
Finda após a madrugada.
Estrelas, noite. Solidão.
Os carros passam rápidos,
Fugindo na escuridão.

A tristeza faz sua ronda,
Averiguando os corações,
Que sempre lhe pertencem.

Ainda que sorriam na manhã,
Ao entardecer dourado,
Começam a verter lágrimas,
Em mais uma noite solitária.

Nesta dependência mórbida,
Minha vida pende entre lá e cá,
Em movimentos taciturnos,
Nas águas bravias da desilusão.

Lá vem ela, acompanhar-me.
Devo deixar de lado a pena,
Correr para os braços da infelicidade,
Buscando consolo aonde não há.

sábado, janeiro 10, 2004

Oníricas paisagens,
Cobertas pelo manto azul-celeste,
Manchado de nuvens brancas.

No leste, surge o brilhante astro,
Senhor durante o dia,
Enquanto a Lua despede-se no oeste.

A noite prepara-se para ir,
Levando tantas esperanças,
Quantos os desejos.

Meu pensamento em você,
Distrai-me das estrelas,
Porque brilha mais que elas.

Ainda aspiro ao seu aroma,
Delicado, doce.
Levemente sensual.

Supreendentemente,
Declarei-me numa despedida,
Que tornou-se um encontro.

As palavras ainda se estenderam,
Mas convencidos pelo sono,
Deixamo-nos levar.

Agora cada qual vive um sonho,
Com as cabeças em travesseiros separados.
Delicioso ou inverossímel?
Apenas o amanhecer vai dizer...
Pensei em dizer-te tanta coisa,
Quando, finalmente, o momento chegasse.
Haveria de ser com flores e poesia.

Entretanto agora, as idéias embaralham-se,
As palavras trombam sem significado,
Querendo todas sair ao mesmo tempo.

Foi tudo tão rápido, inesperado,
Difícil ter qualquer reação.
Apenas a certeza,
Que algo importante aconteceu.

Foi estranho, como tudo se deu...
Sem nos olhar ou tocar,
Com palavras faladas,
Voando pelos fios.

Agora, tudo está suspenso,
Congelado até o Sol nascer.
Que dará a clara certeza,
Se era o que tinha de se fazer.
Poemas, odes e rimas,
Iluminei teu caminho com elas,
Guiando-me lentamente a ti.

Justo eu, que fico em silêncio,
Contemplante observador,
De outras vezes, tantas,
Pus-me ao lado e apenas assisti.

Hoje, tomado de iniciativa,
Escancarei as portas do coração,
Libertei o grito preso na garganta,
Assinando em definitivo minha confissão.

Peço que entendas, este louco trovador,
Que teve a razão calada, amordaçada,
Fazendo-me assumir o sentimento que me toma.
A noite já é alta,
O coração bate forte,
A decisão está tomada.

De partida em vou,
Ao encontro do destino,
Desvairado em tua busca.

Quando a encontro,
Dormes profundamente.
Detenho-me...

Nas sombras, encantado,
Acompanho tua respiração.
Em tantos sonhos te acariciei,
Que hoje a coragem me domina.

Avanço, suavemente,
Minha mão desliza nos cabelos,
Meus lábios encontram os teus,
Despertando-a com um beijo.

Os olhos abrem-se e fitam-me.
Este Trovador atrevido,
Que sempre te amou em silêncio.
Olhar teus olhos,
Acariciar teus cabelos,
Provar teus lábios
E te acalentar o coração.

Secar tuas lágrimas,
Nos momentos de dor,
Acompanhar teus sorrisos,
Nos momentos de alegria.

Banhar de amor a tua vida,
Mergulharmos juntos,
Neste singelo sonho,
Que torna-se mais e mais real.

Estar contigo pela vida,
Que ganha tons coloridos,
E tudo com mais brilho.

Compartilhar muitos momentos,
Vivê-los inteiramente,
É um pouco do que espera
Esta história de amor nascente.
Finalmente!
Minhas palavras aqui lançadas,
Aparentando sem rumo ou destino,
Encontraram-se com Ela.

A Nina de sorriso mais doce,
Cujos olhos me encantam,
Em quem adoro fazer carinho,
Sabe agora, com certeza,
Que estas palavras lhe pertencem.

O coração deste Trovador notívago,
Agora está mais descansado,
Pois, ainda que ela durma,
Estarei sempre ao seu lado.

Hoje é uma madrugada especial,
Mesmo que tudo continue sendo sonho.
Um delicado sonho que tornou-se real.

domingo, janeiro 04, 2004

Noite nebulosa, sem estrelas e Lua,
O céu cinza claro uniforme,
A fina chuva que cai,
Num borrifo gelado.

A solidão, com a fala macia,
Sopra aos meus ouvidos,
Palavras afáveis,
Em juras de amor eterno.

De minha janela,
No último andar,
Nas noites claras,
Vislumbro as luzes da cidade.

Um mosaico de pontos brancos,
Amarelos, rubros e azuis.
Cobrindo as planícies e colinas,
Neste manto colorido de fundo negro.

Meu olhar então se perde,
O silêncio da madrugada me preenche,
Enquanto a vida dorme,
Permaneço desperto daqui.

Pareço voar pelas casas,
Sem discerni-lhes os formatos,
As luzes me guiam
Pelo intrincado labirinto.

Hoje, apesar do horizonte encoberto,
Fito aonde ficam as luzes,
Pontos multicores que não vejo,
Mas em minhas fantasias, estão lá.
Neblina e brumas,
Luzes difusas e esparsas,
A cidade dorme;
Hora de despertar.

É noite sem Lua,
Nos becos desertos,
Brinco com as sombras,
Trovas escuras e vaporosas.

Apenas a taberna,
Casa de corações despedaçados,
Fica aberta à entrada de quaisquer,
Até às luzes do alvorecer.

O tempo avança,
O mundo cinzento e negro,
De gradações infinitas
Em azul profundo.

Perambulando nas ruas,
Em rumos ermos e perdidos,
O pensamento vai as estrelas,
E lá fico a cantar
Minhas poesias para elas.
Flores delicadas,
Recobrem todo o teu corpo,
Emoldurado em cores,
Que vibram e resplandem.

Tua pele de contanto fino,
Sinto na ponta dos dedos,
Trêmulos e sofridos.
Meu coração disrritima.

Na cadência da respiração,
Beijo teus lábios acalentadores,
O calor irradia, incendiando.
Consumo-te em carícias.

Sabor de fruta no ponto,
Fruto proibido do Éden,
Com seus cabelos em cascata,
Negros de noite profunda.

Desço então, pela correnteza,
Pelas ondas, como as folhas,
Desenhando em curvas velozes,
A tua cintilante silhueta.
Catedrais em sombras,
Campanários cortando a noite,
Torreões iluminados pela Lua.

A fina chuva, lágrimas.
Rolando pelos telhados,
Escorrem pelas valas.

A nave principal, às escuras.
Ouve-se o gotejar lento,
Lamúrios dos que sofrem.

O altar nas sombras,
Recebe os corações partidos,
Na missa noturna,
Celebrada nas frias madrugadas.

Senhor dos desiludidos,
Proteja os que choram,
Consola aqueles que lamentam.
Aqueça o coração dos que amam,
Mas estão eternamente sozinhos.
Coração tristonho,
Vida solitária,
Bebendo desilusões,
Sendo apenas mais um.

Ainda aposto na mesa,
Mas a vida não sorri
Para quem é das sombras,
Apreciando melancolias.

Ainda que eu fale,
Das flores do campo,
De lindos sóis nascentes,
Meu espírito é da Noite.

As vielas são meu habitat,
As estrelas minhas musas,
A madrugada é minha hora,
E as trovas, a minha vida.