Chuva que teima em lavar minhas lágrimas,
Carrega também minhas mágoas,
Nestas águas de enxurrada.
Afogue meu coração entristecido,
Que sempre se queima em paixão,
Para depois tornar-se cinzas.
Queria ser despedaçado,
Ter as entranhas devoradas,
E tornar-me uma ossada branca ao relento.
E espalhado pelo deserto,
Tudo viraria pó: desilusões,
Sonhos arrebentados, mágoas e... amores.
Seria fuga? Claro que sim.
Chega de ilusões toscas,
De sabor de coisas perdidas.
Termino este gemido de dor,
Antes da solução final nesta casa vazia.
Se sofri quem se importa?
Sou animal abatido pela carabina.
Serei descourado e retalhado.
Meus ossos repousarão numa fogueira qualquer.
domingo, fevereiro 27, 2005
SAMBA DO LAMENTO
(chora cuíca...)
(chora cuíca...)
A noite chega e traz o vazio,
Na solidão de meu quarto,
Meus pensamentos buscam você,
Agora nos braços de outro.
Assim minha dor só aumenta,
Nem mais a Lua me alivia.
Escrever é um tormento,
Uma corrente pesada de carregar.
Nas rodas de samba da vida,
Já não vejo mais você.
Nas melancólicas e alegres cantorias,
Já não escuto sua doce voz.
Vem apenas a noite bailando,
Queria que trouxesse você,
Mas com ela vem apenas a dor,
Saber que teus murmúrios são p'ra outrem.
"É preciso ter nervos de aço,
Não ter sangue nas veias e ser sem coração..."
Para saber pelo que eu passo,
E não ter ennhum sentimento de morte.
Meu pensamento vai te buscar,
Minha última tentativa,
Ainda que dormindo com outro.
Volta... Volta meu Amor!
Volta , volta meu Amor,
Vem viver ao lado de seu Trovador!
Estou vazio e sem recheio,
Deixei-me consumir em amores vazios.
Agora sou um pavio queimado,
Assentado no fundo do copo.
Minha chama extinguiu-se.
Sou sombra do que fui,
Coração arruinado e em escombros,
Fruto de amores vadios.
Meu corpo roto,
Carrega as cicatrizes
Dos dolorosos cravos férreos,
De amores despedaçados.
Olhas para mim compadecida.
O que fazer se sofro demais?
Lanças olhares piedosos e compassivos,
Incomodando-me enormemente.
De dores bastam-me tuas lembranças,
Revolver as camadas sedimentadas
É levantar poeira e mágoas,
É relembrar amores já findos.
Deixei-me consumir em amores vazios.
Agora sou um pavio queimado,
Assentado no fundo do copo.
Minha chama extinguiu-se.
Sou sombra do que fui,
Coração arruinado e em escombros,
Fruto de amores vadios.
Meu corpo roto,
Carrega as cicatrizes
Dos dolorosos cravos férreos,
De amores despedaçados.
Olhas para mim compadecida.
O que fazer se sofro demais?
Lanças olhares piedosos e compassivos,
Incomodando-me enormemente.
De dores bastam-me tuas lembranças,
Revolver as camadas sedimentadas
É levantar poeira e mágoas,
É relembrar amores já findos.
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