Quer mesmo saber?
Hoje não quero escrever.
Basta de palavras soltas,
Versos frouxos e perdidos.
Vem agora novo canto,
Espremido na garganta,
Despertar da revolta
Adormecida por anos.
Poeta em crise é um perigo,
Ameaça até a sombra,
Mostrando caninos,
Zombando até do amor.
Esse amontoar de palavras,
Escarradas pela pena suja,
Neste ecrán iluminado
Pelo choque de elétrons.
O que era belo,
Que fique feio.
O sentimento sublime,
Que se torne desprezo.
Bem disse o Augusto,
A mão que afaga
É a mesma que apedreja.
Então, que esperas?
Pegue a sua pedra,
Pois eu já peguei a minha.
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