sexta-feira, dezembro 26, 2008

Casa Vazia - 2º Ato

Casa vazia, retorno ao tema,
Numa escalada de notas de dor,
Pois que a chave na fechadura gira,
Estalidos, prelúdio do silêncio.
No rangido da porta,
O movimento suave da Morte,
Que voa nas asas do corvo.

Casa vazia, perene tema.
Atravessar a porta e cerrá-la,
Às minhas costas, nas sombras,
Bloqueando o caminho do Sol,
Finalmente, alcancei meu descanso.
A atmosfera quente, de odor acre,
Em tudo lembra eternamente,
Que este é meu sepulcro,
Nesta casa vazia.

terça-feira, maio 13, 2008

Efêmera felicidade

Felicidade que vem cavalgando
Nas cristas das colinas verdes,
Trazendo o Sol em teu flanco,
Vinde como o raio, como a Luz.
Faz meu sorriso acender,
O espírito incandescer
Para depois perder-se.

Campinas secas, de flores enchem-se,
Árvores mortas ressurgem, exuberantes.
O turvo céu brumoso e plúmbeo,
Torna-se límpido e de sedoso azul,
Lençol aonde deitam-se estrelas,
Oceano que o sol majestoso navega.

Tenho o sorriso da Amada na mente,
Materializado bem á frente,
Corações compassados, apaixonados,
Ao balanço da sinfonia da Alegria.

Mas o tempo é curto e vai rápido
Quando se está feliz e sorridente.
A mesma onda que atrai
Será a mesma que repele.

Felicidade que vai cavalgando
Tomas o rumo do Oeste,
Trazes a Lua em tem flanco,
Vem a Noite em teu encalço.
A sonora e fulgurante Luz
Vai-se embora no entardecer.

Felicidade foste embora,
Sozinho nessa penumbra,
Minhas idéias nas sombras,
Meu coração sentindo frio.

O Tempo que era lépido,
Agora é gotejante como lágrima.
A diáfana luz do luar ilumina
A Melancolia, irmã da Felicidade,
Fazendo-me tenra companhia
Enquanto se está no outono.

Breve estarei no inverno...
Coração novamente congelado,
Sentimentos hibernados
Aguardando novo degelo
Num improvável retorno
Da efêmera Felicidade.

Casa Vazia

Já ninguém me espera,
A casa fria e vazia
Tem o hálito da Morte
Que insiste em visitar-me
Noite após noite neste inverno.

Mas nada é tão vazio
Quanto esse coração carcomido,
Que trago selado no meu peito,
Recoberto de tecido morto.

Nada existe perene,
Concluí da pior maneira
Esta funesta constatação,
Nem amores e nem ossos são eternos.

Já não tenho centelha,
Nem fogo algum arde.
Sou uma pilha de cinzas,
Sopradas e espalhadas pelo vento.

Dissipado no ar, atomizado,
Sem lembrança ou saudade
Nem em mim ou em ninguém,
Pois o fim não está próximo,
Ele já se consumou...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Amar-te foi fácil, ser amado por ti foi ilusão.

O Sol queima-me as pálpebras...
Desperto, olhos abertos;
Tal e qual um autômato,
Dirijo-me ao espelho
Perguntando sem perguntar,
Sendo respondido sem entender.
Íris contraídas, olhando em frente
Quem é aquele que me olha de lá?
Se sou eu não reconheço,
Os cabelos grisalhos,
No rosto há barba por fazer;
Óculos sujos e embaçados,
Olheiras de noite mal dormida,
Corpo cansado da batalha não vencida,
Na campanha que jamais existiu.
Então, se quem me olha de lá
Nem um pouco de mim é,
Quem ele então é?
Não reconheço as rugas,
O olhar triste e melancólico.
O semblante derrotado e cansado,
Com a sombra da Morte às costas.
Sim, ela que sempre nos acompanha,
Da vida inteira, nossa única certeza,
Tem sido uma fiel companheira,
Ouvindo meus lamentos à noite,
Colhando minhas lágrimas de desilusão.
Ébrio pelo álcool da derrota,
O sorriso dela é meu alento,
Desde que o cálice de fel bebi,
Ao virar-me as costas e dizer: Adeus.

Eis a pedra.

Esse espírito caminha vazio,
As idéias já não mais habitam,
Talvez tenham companhia melhor,
Encontrado quem lhes dê atenção.
A alma está oca, sem nada,
Seu estofo desfez-se no ar,
Como poeira, espalhou-se no caminho.
Assim, o Poeta tornou-se feio,
Tanto que suas Musas o abandonaram,
Mercenárias, vivem dos sentimentos,
Sensações que já não tenho.

Tanto quis virar pedra,
E dor nunca mais sentir,
Que um ser inanimado
Acabei por me tornar.

The Nightskye

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http://www.thenightskye.com/index.htm