quinta-feira, abril 22, 2004

Andarilho noturno que sou,
Sigo pelos becos e vielas,
Misturando-me as sombras,
Procuro não me mostrar.

Enquanto a cidade dorme,
Caminho ligeiro, destino incerto.
Embaixo das janelas das damas,
Paro e deixo minhas ofertas.

Pelos cantos, escondido,
Prossigo meu passeio.
A cantinela infinita,
De amar e não ser amado.

Sina de poeta romântico.
Regozija-se com a tristeza,
Suas lágrimas são néctar,
Suas dores é que o motivam.

Sou parceiro da Lua,
Levo-a sempre comigo,
Acompanha-me a todo lugar,
Ilumina-me nas trevas.

Enfrento as frias brumas,
Minhas vestes cobrem-se de orvalho.
Nos lábios trago o sabor do vinho,
Transbordam de versos a minha taça.

Nas tabernas divirto-me,
Reencontro tantos amigos,
Bebemos às desesperanças
E contamos histórias de amor.

A noite avança com pressa,
Quer encontra-se com seu irmão, o dia.
Contudo ela sempre morre
Ao ser atingida pelo primeiro raio de Sol.

E assim acaba-se a ronda,
Recolho-me as minhas fantasias,
Durmo pensando em ti.
Em meus sonhos te tenho, Musa.

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