quinta-feira, maio 20, 2004

Não há amor que resista,
Abandonado à própria sorte.
Necessita cuidados constantes,
Para que se mantenha florescente.

Mas quando o jardineiro,
Que habilmente o cultiva,
Perde a motivação...
Que triste final aguarda.

É largado no caminho,
Morre de inanição.
Sem cuidados, é atacado,
Por fim destruído.

A esperança agoniza,
Já não viaja em asas de sonho.
Jaz ao sol, secando.
Sobrevoam-lhes, ávidos, os abutres.

O odor pútrido da desilusão,
É o perfume que inebria.
Faze-os nas correntes bailar,
Em círculos no salão celeste.

Sinto o amargor da frustração,
Ainda assim ergo o brinde:
- A mais uma que se consumou,
Sirvam-se de meu coração, urubus!

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