sábado, dezembro 27, 2003

És tão delicada,
Suave como a brisa.
Tua presença inebria,
Como o aroma das flores.

Teu sorriso como estrelas,
Na límpida noite sem lua,
Brilham por trás dos lábios,
Finos e sensuais de beijar.

Este Trovador, de tolas rimas,
Perde totalmente a compostura,
Perante a tua beleza,
Ofuscando minhas rudes palavras.

Impossível descrever o sabor,
Do néctar que bebiam os deuses,
Para mortais que vivem de ilusão.

Como contar o original,
Sem parecer grosseira cópia?
Sei que por mais que me esforce,
Jamais conseguirei em versos,
Converter tua formosura.
Um sol radiante nascente,
Por entre as brumas da tristeza,
Com seus feixes dourados
Inúmeros como fios dos cabelos teus.

Teu olhar brilhante,
Esconde o coração frágil,
Que sente o peso da solidão,
Que a dor da perda faz maior.

Faze-me despertar pela manhã,
Com tua doce lembrança.
O sorriso que fulgura,
É o que cura para ser curado.

Quisera estar mais perto,
Da distância de um abraço,
Para aninhar o sol em meus braços,
Para te permitir chorar.

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Meus lamentos que te buscam,
Já voltam sem resposta.
Lentamente a perdi,
Como uma imagem que se esvai.

Minha escultura de areia,
Bela e frágil, que o mar leva,
Desaparecendo nas ondas.

Vais livre de mim,
Aquele que te enseja,
Mas teme alcançar-te,
De tudo acabar sem começar.

Se de meus sonhos vens,
Não sumas nas brumas,
Nem tomes rumo ignoto,
Mas volta para meu coração.

Que de esperanças vivas,
Mantém aceso o último lume,
Para que se algum dias voltares,
Saibas sempre aonde me encontrar.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Pela cidade luzes coloridas piscam,
O dourado e o prata reluzem à noite.
Todos respiram a magia,
O otimismo a todos contagia.

Caminhando pelas ruas,
A madrugada fica mais melancólica,
Ao ver pelas janelas apagadas,
Os piscas-piscas como vagalumes de fantasia.

Se o silêncio é que acompanha,
Mais taciturno fico, sentindo-me só.
Enquanto todos ficam alegres,
Meu coração verte lágrimas de saudades.

É o ano que se finda,
Amizades que se vão,
Lapsos de tempo que separam
Até aqueles que mais juntos estão.

Os reflexos se multiplicam nas poças,
Em minha cabeça muitas lembranças.
De como você gostava da casa decorada,
Com centenas de luzes, como as auroras nos pólos.

Existia um prazer incrível,
A alegria de construir algo junto.
Era divertido demais...

Mas agora, a casa é silêncio,
Apenas sombras e sussurros.
As pequenas lâmpadas ficaram nas caixas.

Obrigado meu pai por tudo.
Momentos maravilhosos e brilhosos,
Que talvez eu repita como meus filhos,
Com meu coração lembrando de você...



Sinto muitas saudades. Nos reencontraremos algum dia, com certeza.

domingo, dezembro 14, 2003

Olha-me de modo tão especial,
Acendendo-me chamas há muito apagadas.
Sinto o coração flamejar,
Que inutilmente tento controlar.

Mas sou transparente,
Nada consigo esconder;
Se a minha língua se cala,
Os olhos entregam-me.

E se forço-os para que se fechem,
Minhas poesias assinam uma confissão.

O bem que me faz,
Ter sua companhia neste instante,
Faz-me retornar a antigas crenças,
Que desacertos fizeram-me desacreditar.

Tua pele morena,
Já permeia meus sonhos.
O calor de teu corpo,
Ainda o sinto após o abraço.

Meu coração descompassado,
Almeja gritar a todos.
A razão o amordaça,
Esforçando-se para o controlar.

Se o que sinto converto em palavras,
O lado racional fala junto,
Embaralhando o conjunto,
Tirando da poesia o sentido.

Palavras sussurradas ao ouvido,
Arrepiando todos os pêlos,
É irresistível o convite para viajar,
Que sem querer já estou embarcando,
E talvez não queiras dela participar.
Num longo abraço,
Minhas lágrimas brotaram.
Viste pela primeira vez
Este guerreiro chorar.

Cada vez que mirei teus olhos,
Via-me submerso em um mar de ternura,
Sentindo-me realmente em paz.

Naqueles minutos,
Que duraram uma vida,
Meus ferimentos foram tratados.

Hoje ao despertar,
O sol em meu rosto
Ainda apostou que foi sonho.

A parte mais doce,
É que tudo foi real.
Em teus braços encontrei alento,
Em amor que não se mede.
Firme como rocha,
Resistente como ferro,
Da têmpera do melhor aço,
Faço-me exemplo de forte.

Entretanto,
Se até a rocha é britada,
O ferro desfaz-se na bigorna, martelado.
E o aço com o tempo corrói...

Como tentar fazer-me indestrutível?

Este andarilho do mundo,
Coberto por sua carapaça,
Trilha seu caminho só,
Tentando sempre sorrir.

Mas o caranguejo também esconde-se,
Troca de casca entre as frestas.
Protegido, ele pode crescer,
Para novamente resistir.

Exijo-me a fortaleza,
Sem descanso e sem exílio,
Como se nem humano fosse.

O aprendizado é árduo,
Muitos revéses em esperam.
Porém já não seguirei só,
Basta apenas me permitir
Que a mão amiga se estenda.
Estou perdido neste mundo,
As luzes foram apagando-se,
Tal como as estrelas
Engolfadas pelas tormentas.

E sem guia, sem rumo,
No coração apenas a solidão,
Do vazio da existência sem sentido.

Sinto o doce gosto da liberdade,
E o sabor amargo
De não ter mais a ninguém.
Mais uma noite,
A mente divaga pelas estrelas,
A pena desliza pelas linhas.

Nesta noite, lembro-me de outras,
De tua voz numa cantiga,
Tão macia e doce.

Gostava quando cantavas,
Baixinho ao meu ouvido,
Canções românticas em espanhol.

"¿Quién me va a entregar sus emociones?
"¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
"¿Quién me tapará esta noche se hace frío?
"¿Quién me va a curar el corazón partío?"

Agora meus lençõis estãos frios,
A Carmen que vive em ti, cantou mais alto,
Tomaste outros rumos e amores.

E eu numa espiral doentia,
Consolo-me com velhos boleros,
Entoando rimas de amor perdido.

sábado, novembro 08, 2003

O abismo abre-se,
Em queda vertiginosa,
Direto às profundezas.

O rugido dos ventos,
Nas escarpas afiadas,
Rasgando com violência.

O corpo dilacerado, (despedaçando-se)
Choca-se contra as paredes,
Da garganta em trevas.

A perdição, o fim.
O precipício assustador,
Túmulo de culpados e inocentes.

Caindo, caindo ao ar livre.
Tendo acima tristes estrelas,
A liberdade angustiante sente-se.

O sorriso da Morte,
Que o espreita nas fendas,
Até chocar-se definitivamente no chão.

sexta-feira, novembro 07, 2003

Escrevo tanto, tantas linhas,
Ficam aqui perdidas.
À deriva no mar da informação.

São como folhas ao vento,
Balançando-se daqui para lá,
Sem rumo ou direção.

Tantas linhas soltas...
Fico pensando se já percebeste,
O que é o óbvio,
Que todas são escritas para ti.
Qual o sabor de teus lábios?
Não canso de me questionar.
Se são como favos de mel,
E se a textura é de pétalas de rosas.

Se são macios como plumas,
Sensíveis e delicados como miosótis,
Crescendo nas montanhas e
Acarinhados pelo sol da manhã.

Será descritível o gosto?
Haverá palavra que os encerre?
Esses lábios finos e provocantes,
Ativando todos os meus sentimentos.

É a hora!
Enlaço-a num beijo interminável,
Fugaz, dura um instante,
Provo a dádiva dos céus.

Eles são tudo que pensei,
Guardando ainda mais segredos,
Abrindo-se em infinito bouquet,
Que confunde até os experientes.

Experimento com ardor,
A todo o momento que posso,
A iguaria perfeita e escondida,
Em teus lábios lindos e poéticos.

sexta-feira, outubro 24, 2003

Queria poder tocar teu coração,
Tão profundamente quanto possível,
Indo aonde nenhum outro alcançou.

Abrir as comportas do amor,
Deixar jorrar a torrente,
De sentimentos há tanto represados.

Assim inundar teu espírito,
De sorrisos e felicidade incomum.
Realizar teus sonhos mais sentimentais.

Te provaria que o mundo é colorido,
De mil cores vivas e pulsantes,
Não essa realidade cinza e esmaecida.

E deixar aflorar teu coração,
Pois a vida já não será hostil,
Tudo exala o perfume da paixão.

Deixe cair o teu corpo,
Na queda livre sem fim
Do amor avassalador.

Entrega-te comigo,
Para juntos sentirmos
O mais doce dos sabores.

O dos corações realizados,
Cúmplices que se completam,
Em total confiança.
De olhos abertos,
Minha mente alça vôo,
Tentando encontrar-te.

Pelas ruas, inúmeros rostos,
Mas não és nenhum deles,
Pois lá tu não estás.

Nos jardins busco,
A flor perfeita,
Que alegrará teu sorriso.

Em vão tento correr,
Mas nunca chego a amparar,
Tua furtiva lágrima solitária.

Voando a buscá-la,
Galgo montanhas,
Percorro planícies.

Acabo indo tão longe,
Para procurá-la por fim.
Não a vejo tão perto,
Ao alcance do meu abraço.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Qual os lírios nos campos,
Desabrochas esplendorosa,
Com as pétalas refulgindo,
Aos raios solares da manhã.

A beleza perene,
Nem mais hábil pintor,
Consegue descrever.

Ver-te por inteiro,
No profundo olhar me perder,
Nos recantos ignotos
De tua alma me refugiar.

Mas teus olhos não me fitam,
Ao contrário, perpassam-me,
Como se invisível fosse.

De tuas íris castanhas,
Emanam mistérios encantadores,
Que envolvem e inebriam,
Fazendo-me levitar.

E cada troca de olhares,
Vejo-me mais enlaçado;
Preso na deliciosa armadilha,
Que trazes em teus cílios escondida.

domingo, setembro 28, 2003

Amigo, sente aí.
Bebamos a dor,
Amargura e amor.

Esse álcool que queima,
Desce a garganta frágil,
No sangue entorpece,
Ao cérebro alucina.

Só os que já sofreram,
Sabem somo dói a paixão.
Desde o início tórrido
Ao violento fim.

Causando tantos estragos,
Como qualquer tormenta,
Sacode-nos dos pés à cabeça,
Abalando nossos alicerces.

Quando passa, (um dia sempre passa)
No cenário de destruição,
Contabilizamos os mortos e feridos.

Para depois tudo reconstruir,
Fortalecer o coração,
Com barricadas fortes
E o mal não se repetir.

Mas se queremos viver,
Sentir a vida por inteiro,
Sempre sobrará uma brecha
Por onde nova tormenta entrará.
Quero-te ardentemente,
Ao mesmo tempo que a renego.
Desminto meus sentimentos,
Quanto mais os explicito.

Neste jogo de verdades,
As mentiras é que jogam.
Então sou atraído,
Tanto quanto sou repelido.

Forças contrárias atuando,
Nos envolvem e dominam,
Fazendo-nos desejarmos,
Quando temos asco.

Já não sei quando
A sério falo,
Ou se tudo não passa
De cruel brincadeira.

Em teus olhos,
Interrogações,
Indagações.
Nenhuma certeza.

Por meu lado,
Nenhuma confirmação,
Sinal positico
Ou afirmação.

Seguimos helicoidalmente,
Aproximando e afastando,
Em vai-e-vem infernal,
Com os lábios nunca a tocar.

Por mais desejo,
Vontade que aparente,
Nunca temos certeza,
Nem dessas palavras que escrevo.
A noite inicia-se,
Minha busca recomeça,
Nos becos e vielas,
Caminhando pelas ruas
A sua procura.

Minha senda,
Pela lua iluminada,
É longa e fria,
Triste e solitária.

Busco seus vestígios,
Lembranças fugazes,
Que preenchem o vazio
Que é a vida sem você.

Sigo pela madrugada,
Em visões etéreas,
Entre brumas e sombras,
Vejo-a sorrindo, chamando-me.

Embrenho-me ainda mais,
Nestes densos sentimentos,
No lodaçal obssessivo
Que tornou-se esta tentativa.

A escuridão já se despede,
Quando, atingido pela fadiga,
Das horas andarilhas,
Desabo sobre a cama.

Aí sinto teus lábios quentes,
Em afagos trêmulos,
A tenho em sonhos felizes,
Real motivação
De buscá-la pelas noites.

quinta-feira, julho 31, 2003

Último beijo,
De sabor doce
Com saliva amarga.

Com lábios quentes,
Língua dormente;
Dentes cerrados.

Último adeus.
Palavras tristes,
Um coração aliviado,
O outro angustiado.

Últimos momentos...
Frios e distantes.
Um beijo gelado,
Sela com dor
Uma paixão ardente.
Caminhando pela floresta,
Recolho pedaços de vida,
Que ao mais simples toque,
Cada árvore suspira.

Através da folhas, o Sol,
A iluminar corações.
Mas há os que estão sós...
A estes, restam canções.

De vida e morte falo,
Da primeira, nada mais resta
Além do seco talo.

E a morte, seja ela o que for,
Aparentemente,
Desabrocha-se em flor.
Prótons e elétrons,
Bailando pela eternidade,
No triângulo amoroso nuclear,
Flertam ambos com os nêutrons.

No balé quântico,
De quarks e neutrinos,
Chocando-se intimamente,
Gerando todo um novo cosmo.

Pulsos magnéticos,
Rodopiantes em um spin,
Alterando forma e imagem,
Espectroscopicamente diferentes.

A matéria ondulante,
Nas equações de Schorödinger,
Incerta como disse Heisenberg,
Brilhante como a fez Planck.

Embaraçou Einstein,
Com todo seu leque
De possibilidades e caos.

Construindo e destruindo,
Surgindo e desaparecendo,
Eternas ou fugazes,
Por todo o Universo.

A sinfonia magistral,
De subpartículas, ondas,
Matéria, eletricidade,
Elementos e luz.

Estendende-se pelo infinito,
Levando sensações e sentimentos,
Expressão final e derradeira,
Do caldo de quanta que somos.
Sombras sorrateiras,
Nos cantos. escondidas,
Apenas aguardando
O momento da emboscada.

Quando o coração triste,
Desarmado e maltratado,
Nem percebe a mancha,
Escura e fria,
Que dele se apossa.

A luz, pouco a pouco,
Apaga-se sem saudades.
Sombras sorridentes,
Ocupem novamente,
O imenso território estéril
Que lhes pertencem
"Ad Aeternum"...
Parece-me que o problema foi sanado. O que estava causando o transtorno na publicação dos posts era a codificação da página. O padrão de caracteres para a língua portuguesa é padrão ISO 8859-1 (Ocidental). O padrão para o BLOOGER é o Windows-1252.
Gostaria de saber por que eles alteraram isso nas configurações do blog? Ou terá sido isso adicionado, como mais uma opção nas configurações? Agora não tenho mais como saber.
Realmente um grande transtorno essa mudança...
Mas também, fiquei sem publicar nada durante bom tempo e não acompanhei quando foram feitas as mudanças. Agora é reler as FAQ's e os arquivos de help para saber se é possível minimizar o trabalho braçal que tornou-se o ato de "postar"...
Sinto pelo incômodo causado pela falta de acentos gráficos nas poesias antigas, mas devido a alguma alteraçäo feita no sistema do BLOGGER, os mesmos näo säo mais reconhecidos, exceto quando escritos os sinais com os respectivos códigos em html! Nas mais novas eu pude corrigir o problema. Entretanto, re-editar cada uma das anteriores para inseriri os respectivos códigos... bem, vai demorar um pouco.

terça-feira, julho 29, 2003

Boa noite meus leitores!
Alguns que visitam-me eu conheço, mas existem tantos outros que säo fugazes e se väo sem nem ao menos deixar uma palavra escrita sequer. Mesmo que tenha odiado o que foi escrito, pelo menos uma opiniäo poderia expressar. Pois a todos os que me lêem gostaria de conhecer, ainda que superficialmente.
Por favor, näo deixem de opinar.

segunda-feira, julho 28, 2003

Säo palavras que escrevem,
Escorrem pelo papel
Sem nada dizer.
Apenas o óbvio.

E juntam-se, acumulam-se,
Em frases sem sentido,
Como gritos de desordem.

É o caos, desuniäo,
Escrevo sem contexto,
Motivaçäo ou amor.

Os períodos formam-se,
Nascendo como aberraçöes,
Disformes e mutantes.

Fujo à razäo e à certeza,
Nada mais é garantido,
Portanto os vocábulos aos borbotöes.

Sujos de sebo e sangue,
Ao natural, recém-nascidos
Da pena nervosa, louca,
Que a isso tudo escreveu.
Em meus momentos de solidäo,
O pensamento voa rápido até você,
Nas asas da fumaça do cigarro,
Queimando lentamente no cinzeiro.

Minha vida reduziu-se a isso,
Curtir em silêncio o sofrimento
Por quem täo longe agora está,
E escrever dolorosas poesias.

Com certeza está em outros braços,
Que melhor apoio hoje säo para ti.
Quando seus lábios säo beijados,
Entrega-se para outro, que näo sou eu.

Neste quarto de 3X3,
Em meio aos livros e papéis,
Nas veias cheias de álcool,
Aspirando este ar vicioso.

Meu único pensamento é você.
Tanto a conhecia, profundamente,
Neste momento é uma estranha.

Näo sei mais o que pensa,
O que gosta e quem admira,
A que horas dorme ou acorda?
Como e por onde anda?

O cômodo escuro e lúgubre,
Hoje é minha sepultura em vida,
Por que as forças me fugiram
E a vontade se esvaiu.
Louco de pedra,
Louco varrido.
Louco, faz o que quer,
Continua insistir
Em contigo sonhar.

Pois só me causas dor,
Com teu sorriso distante,
Olhos repelindo-me,
Na boca, dentes cerrados.

Minha alma sofre,
Eu aprecio ser esmagado,
Como reles inseto que sou,
Pela sola de teus sapatos.

Enlouquecido, näo cesso,
Pensar em ti em todos os momentos,
Numa doentia obssessäo
Que queima-me e consome.

Como vela nº 06,
Minha chama arde rápido,
As lagrimas de cera escorrendo
Pelo que resta de meu corpo.

Em instantes eu me vou,
Näo passando de um pavio queimado.
(inútil)

Entäo, o que eu era
Torna-se lembrança.
Brevemente apagada,
Na limpeza do castiçal.

domingo, junho 22, 2003

Dessas encostas escarpadas,
Debruço-me sobre o mundo,
Olhando através da sombra,
Que adensa-se nos vales abaixo.

As ruínas da cidade surgem,
Através da brumas e do tempo.
Distante, não ouço os gritos,
Nem vejo mais o pavor nos olhos.

O desespero me alcança,
Afligindo-me o coração.
E através do mar sinto as dores,
As lágrimas e o pânico.

O deslumbre agora mata,
Soterrando esperanças e as crenças,
Entre as paredes que colapsam,
Erradicando todas as certezas.

E o chão abre-se com estrondo,
Tragando tudo o que é vivo,
Cuspindo as vísceras da Terra,
Em um imenso espasmo de dor.

E de tão distante,
Pela amargura sou banhado,
Sem nada poder fazer,
Apenas essas palavras a dizer.

Ópera de Lisboa ou do Tejo, destruído pelo terremoto de 1755.

sexta-feira, junho 06, 2003

Recomendo uma visita a exposição virtual de fotografias do Império Russo, no site da Biblioteca do Congresso Americano. Belíssimas imagens de um dos maiores imperios da humanidade. O mais curioso, fotos coloridas!! Daguerreótipos batidos pelo pioneiro nessa técnica, o químico russo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Vale a pena conferir!

quinta-feira, maio 22, 2003

Venha comigo e seja feliz,
Entrega o teu coração triste,
Permita-se ao menos sorrir.

Alça vôo deste telhado!
Vem, eu lhe mostro como.
Fazer a vida é fácil.

Esqueça dos problemas mundanos,
Pelo menos dessa vez
A noite é toda nossa.

Abraça-me forte e ceda
À luz do desejo e do amor,
Nascente de meu coração.

Segue as notas musicais
De minha serenata luminosa,
Caminhando para o paraíso.

Venha e te entregues inteiramente,
A todo esse amor insano e lúdico,
Que eu serei teu guia.

Descortinarei os mais belos panoramas.
Do mundo, as belezas te mostrarei.
Venhas comigo esta noite,
Não haverá mais outra vez.


Sombras projetadas,
Entre becos enluarados,
Alongam-se pelas calçadas.

Das paredes escuras,
Nascem da penumbra
Aonde a luz nunca penetra,
Escuridão interminável.

Pelos vidros foscos,
Tremeluzem fracas lâmpadas,
Lutando contr as sombras
Que teimam envolver-nos.

Trazendo o silêncio,
Da noite tranqüila,
Com lua brilhando no céu,
Estrelas cintilam nas poças.

Não há brumas ou turvação,
Apenas densas sombras,
Encobrindo as dores
E os sentimentos bons.

sábado, maio 17, 2003

Museu do Hermitage, em São Petersburgo, possui uma vasta coleção on-line de obras do acervo digitalizadas. Recomendo uma visita sempre!
Haja o que houver,
Estarei aqui.
Haja o que houver,
Esperarei por ti.

Transforma minhas noites,
Nubladas e tempestuosas,
Em alegres manhãs
Ensolaradas e maravilhosas.

Mesmo que tu partas,
Jurando-me nunca mais voltar,
Dessas areias claras e macias,
Assistirei teu retorno.

Haja o que houver,
Continuarei amando-te,
Pelas sendas iluminadas,
E mesmo ainda as obscuras.

Estarei sempre aqui,
Aguardanto-te sereno,
Ainda que imerso em trevas,
Da qual é a minha luz.

Haja o que houver...

domingo, maio 04, 2003

Chuva intermitente,
Com céu nublado,
Os corações se fecham.

As gotas caem pelas folhas,
Escorrendo nas ruas
Desertas e tristes.

Sombras humanas passam rápido,
Buscando abrigo, com semblantes amargos.
A vida torna-se melancólica.

Das janelas envidraçadas,
Os rostos das crianças vêem seus folguedos
Em paisagens cinzentas e fúnebres.

A cidade parece em transe,
Pois a vida prossegue,
Mas ninguém aparece no comando.

Com as minhas viola e a pena,
As palavras escorrem pelos dedos,
Fluindo com as lágrimas dos céus.

Poesia gotejante,
Tranborda tristeza,
Amargura de solidão.

Pelas ruas vazias
Prossegue o trovador,
Rolando com as folhas.

Nesse outono tropical,
Em que anjos choram
E a vida emudece.
As águas prateadas
À luz do luar,
Nessa praia mágica
É cenário ideal.

As areias cintilam.
Cada cristal de sílica vulgar,
Brilham e refulgem
Como caros diamantes.

Nesse rico e adornado leito,
Bailas feliz, em rodopios,
E eu contigo, juntos,
Dançando a mesma canção.

Entre juras e poemas,
Falamos de amor eterno,
De nunca haver separação.
É o momento perfeito.

Deixo tudo fluir,
Sorvendo, ávido, cada instante.
Pois, quando o dia raiar,
Já tudo serão lembranças e cinzas.

Sei que não mentes,
Estamos apaixonados,
Vivendo um para o outro,
Unidos pelo destino.

Porém a mágica não é para sempre...
Tanto prezas a liberdade,
É o que a fazes ainda mais bela,
Entre as tantas outras comuns.

Paixão é fogo ardente,
Por isso não é perene.
Nesse saudável desvario,
Saltemos de mãos dadas.

Consciente estou sobre o fim,
Entretanto essa sombra,
Não incomoda-me um segundo.

Porque vejo a luz de teus olhos,
Pousados e aninhados em mim.
O instante é esse,
Fugaz e maravilhoso.
A canção do mar
Chega aos meus ouvidos,
Arrebentando em ondas
Contra o espírito.

A praia sempre deserta,
Mesmo cheia de pessoas,
Desde aquele último beijo,
Amargo de despedida.

Quando começou na primavera,
Jamais imaginei de se acabar,
Mergulhando-me na inanição
De novamente voltar a amar.

E às areias, sempre torno,
Tentando reencontrá-la,
Mesmo nos braços de outro,
Apenas para lhe ver.

Desesperadamente sigo
Amando-a sempre,
Tal como cão dispensável,
Sou enxotado e castigado.

No abandono fica o vazio,
Pois já não vem aqui
E eu não posso voltar a vê-la
Por mais uma única vez.

Assim não posso mostrar,
Que apesar da erosão, carcomendo-me,
Continuo sólido e firme,
Loucamente amando você.

domingo, abril 27, 2003

Todas as noites vens,
Em sonhos que são reais,
Vaporosa e etérea.

Tal qual um anjo,
Em tuas visitas noturnas
Minhas aflições diminuem.

E consigo visualizar
Toda uma vida nova,
Em que a felicidade é possível.

Minhas trovas noturnas,
Não são mais jogadas,
Bradadas em vão.

Meus lamentos te alcançam,
Sendo consolado em carícias
E meus sentimentos te envolvendo.

Nas noites enluaradas,
Pela cascata negra
Que cai por tuas costas,
Descem lentamente meus dedos.

Enlaço-te em forte abraço,
Nossas respirações param,
A realidade fica em suspenso.

Quando os lábios se tocam,
Toda a sinfonia fantástica,
Executada com ardor e paixão,
Tem soberbo início.

O real torna-se sonho,
Novamente a ilusão desvanesce,
Tornando-te intangível, mais uma vez.

Enquanto a madrugada
Agoniza lentamente,
Já o dia amanhece.

Nas vielas ainda escuras,
Suspira o solitário trovador.
Finda-se mais uma noite,
Com muitas trovas e vinho,
E a maior meta foi o amor.
Tão bela és, ó Musa,
Nada é comparável,
Visto todo o brilho
Derramado por ti.

Em minhas veias
O sangue corre, quente,
Usinado nas entranhas
Deste amor fundente.

Pois o que tocas,
Resplandece e se aviva,
Como magistral mágica,
Que somente as deusas são capazes.

Talvez meus olhos estejam fechados
E a minha razão obscurecida,
Pela loucura da paixão,
E eu não consiga te discernir.

Porém, o grande momento,
É a entrega em um mergulho
Ao vazio em queda livre, sem medo,
Nos abismos encantados do amor.
Vejo-me sozinho
Em mais este
Doloroso momento.

Pois a minha sombra,
Agora já caminha sozinha,
E na vida sigo só.

O vazio é a pior sensação,
Com sabor de estragado,
Olha-se para trás...
Somente poeira.

À frente?
O desconhecido...

Solidão é o vácuo,
De não haver mais ninguém,
Apenas lampejos de vida.

E nos risos e conversas,
Encontro-me solitário e avesso.
As peças foram retiradas,
Tão sutilmente, nem percebi.

Meu solhos abriram-se
Para chorar por todas as perdas.
Desilusões e delírios,
Passado traduzido no presente,
Repleto de ausência e solidão.
Nesse inverno triste,
Meu único calor
Brota de ti.

Aquece-me e acalenta,
Afugentando-me da alvura
Dos dedos da Morte.

Pela janela, açoita a borrasca
Com gritos e uivos.
Em ti, a esperança resiste,
Resiste o carinho.

A brutalidade afia os dentes,
Para rasgar-me e despedaçar
O espírito, desprotegido e nu,
Envolto pela tempestade.

De teus olhos castanhos,
Jorra a ternura que inunda-me,
Aliviando a dor da chibata
E a foice da colheita.

Em mim, te eregi um santuário,
Devotando tudo o que resta.
E nesse corpo frágil, és a força.
Carregarei para sempre a tua lembrança.
Flores negras e mortas
São marcas sombrias
Deixadas sobre a tumba
Do coração triste.

Que desfazem-se em pó,
Sob o suspiro da brisa,
Que corre desesperada
Nos bosques silenciosos.

As estrelas pontilham o céu,
O véu da mortalha,
Aprisiona e acorrenta
A alma atormentada.

Flores secas, noturnas,
Tingidas em trevas.
Soturnas sombras
Aos pés da lápide.

No tardar da hora,
Com silêncio concreto,
Marmóreo e suspenso,
Flores despedaçadas.

Marcando e sinalizando
O terreno desgraçado,
Proibido e amaldiçoado
Aonde jaz o coração aflito.

quarta-feira, abril 23, 2003

Entre todos os momentos,
O de mais doce lembrança
É a imagem cristalina de seu sorriso.
Romântico e meigo.

Impossível nos momentos de solidão,
Em que o coração verte lágrimas de dor,
Em que o sol se encobre e se acinzenta,
Não lembrar de imagem luminosa.

A luz que emana desse instante
É suficiente para curar todas as chagas
E purificar completamente a alma.

Entretanto, tenho somente a lembrança
De quando andávamos de mãos dadas
E a sua alegria completava a minha vida.
Um instante, apenas mais um instante...
Noite silenciosa,
Envolve-me no teu manto de morte,
Apazigua meu coração torturado.

Pelas brechas de minha alma,
Partida e rachada
O sangue escuro e talhado
Escorre lentamente.

O ferimento que me causaste,
Somente a Noite tem poder de curar.
Pois, agora vivo em Trevas
E nem tu poderás mais me salvar.

domingo, abril 06, 2003

Tão bela é a vida e o viver,
Que não entendo o pouco valor
Que a eles se dá.

Pois, somos caçados,
Vítimas de outras vítimas,
Nessa cidade insana,
Desejosa de sangue.

E as balas nos esperam
A cada esquina que se dobra,
Como nosso nome gravado
No seu chumbo quente.

Mas quem não tem esperança,
Achando que a vida não teve direito,
Querendo o lucro fácil
Numa multidão de miseráveis.

Coloca uma arma como talismã,
Na cintura ou a tiracolo.
Agora ele é um Homem,
Sobressaindo-se entre todos.

Porém, a bala que tem o meu nome,
Profundamente gravado,
Tem uma irmã desgraçada
Marcada com seu nome.
Sob os meus pés cansados,
O mundo nuca deixa de girar.
Por mais que deseje,
O tempo sempre avança.

E a cada dia que passa,
É mais um que se perdeu.
Pois não há como regressar,
Nem reparar o mal feito.

Decisões eu tomo, certas e erradas,
Mas nunca posso escolher
O melhor dos mundos,
Porque outra chance não há.

E em meus anseios e devaneios,
Perco completamente a razão
E não vejo como me olhas,
Com carinho desejando.

E tu será mais uma na história,
De tantas outras amadas
Que simplesmente perdi.

sábado, abril 05, 2003

Tal como o Sol, nascendo
Nas montanhas frias,
Refulgindo nos lagos límpidos,
São os teus olhos.

E deles emanam o calor,
Que lentamente evapora
Toda a mágoa em orvalho
Que cobre meu coração.

Em ti amanhece um novo dia,
Em que a esperança caminha.
É toda beleza que qualquer ser
Deste planeta pode conter.

Poder descansar minha vista,
Cansada do mundo e da vida,
Em bela miragem como tu
É como ungüento para a dor.

Por isso te dedico todas as odes,
Pois é o que tenho a te oferecer
No turbilhão do amor, repartir,
Toda a alegria que me trazes.

sexta-feira, abril 04, 2003

Chega a noite, o Trovador sai à ronda...
Pelas vielas, sob as sacadas
Buscando o olhar da amada musa
Que lhe ilumina e guiará.

Pois ela está ali, bem próximo,
Ao alcance das palavras
Que expresso em lindas canções.

Atingir seu coração
E nos olhos um sorriso nascer
É recompensa de maior valor,
Se é que se pode quantificar
Sentimento tão sublime como o amor.
O sangue corre nas calçadas,
No horizonte os fumos negros
Envolvendo os homens
No hálito da destruição.

As areias trazidas pelo vento,
Deserto calcinado, sem lágrimas.
Sempre foi assim...
Por milênios sucedem-se.

Desespero e sofrimento,
Loucura e dor.
Inocentes em meio ao caos
Criado pela ganãncia dos homens.

Uma pena que essa não será a última guerra que os homens verão... A espécie homo sapiens sempre evolui quando é para destruir seu próximo.

domingo, março 30, 2003

Hoje o coração quer sorrir,
Inebriado com o vinho da vida
Quer derramar alegria
E clarear as vielas escuras.

Sentir-se leve e feliz,

É sensação indescritível
Que qualquer um quer ter.

Hoje amanheceu mais claro,

Sem nuvens ou chuva.
É dia de ser feliz
E conquistar aquela que amo.
Fria é a noite,
Lá fora as folhas caem
No outono de minha vida.

O vento castiga e açoita

O coração indefeso
Que teima em apaixonar-se
E ferir-se sem dó.

Pobre criança que não aprende,

Poucos são os que amam,
Muitos são escorraçados.

É outono, prelúdio do inverno

Em que o mundo perde suas cores
E a melancolia caminha na chuva.

As ruas ficam desertas,

As janelas às sacadas, fechadas.
O Trovador fica às escuras
Sem ter a quem cantar.
A luz prateada banha as vielas
Estreitas e melancólicas.
Os corações, em noites assim,
Suspiram apaixonados.

Seja por aquela que se foi,

Seja por aquela que virá.
Mas sempre suspirando por amor.

O Trovador, pelas ruas

Caminha cantando suas odes,
Buscando em cada janela
O instante arrebatador.

Em que os olhos se cruzam,

A alma estremece,
O coração acelera.
E o amor durará para sempre.

Pelo menos, até o amanhecer...
Entre as nuvens estás escondida...
Deixando-me a sós com as lágrimas.
Vêm minha redentora,
Cobre-me com teu manto prateado.
Ilumina-me com tua luz fria.

Não deixa aquele que tanto te venera,

Lançar suas trovas no escuro sozinho.
Hoje chove forte,
Em meio ao turbilhão
Relâmpagos e trovões,
Meu pranto silencioso é derramado.

E as lágrimas misturadas à chuva,

Regam o solo embrutecido.
Meu coração navega
Por mares revoltos e cruéis.

Parti em sua busca,

Desesperado, me perdi.
Encontrei apenas a tempestade.
Meus brados lhe dirigi...

Entretanto está surda

Aos meus lamentos na noite.
Então, naufraguei
Sem esperanças e vazio.

Mas sua lembrança é quente,

Faz-me chorar junto com a chuva,
Minhas lágrimas a misturar,
Regando o solo embrutecido.

"Y en mis ojos no ha parado de llover!"
Noites de verão.
Iluminadas pela Lua e as estrelas,
Abeçoem este recanto,
Aonde as trovas irão descansar.

Noites de verão.

Promessas de amor,
Sempre as traz
Sem nunca as concretizar.

Que venham as insones noites,

De trovas e melodias nas vielas
Sob as sacadas dos casarios!