domingo, setembro 28, 2003

Amigo, sente aí.
Bebamos a dor,
Amargura e amor.

Esse álcool que queima,
Desce a garganta frágil,
No sangue entorpece,
Ao cérebro alucina.

Só os que já sofreram,
Sabem somo dói a paixão.
Desde o início tórrido
Ao violento fim.

Causando tantos estragos,
Como qualquer tormenta,
Sacode-nos dos pés à cabeça,
Abalando nossos alicerces.

Quando passa, (um dia sempre passa)
No cenário de destruição,
Contabilizamos os mortos e feridos.

Para depois tudo reconstruir,
Fortalecer o coração,
Com barricadas fortes
E o mal não se repetir.

Mas se queremos viver,
Sentir a vida por inteiro,
Sempre sobrará uma brecha
Por onde nova tormenta entrará.
Quero-te ardentemente,
Ao mesmo tempo que a renego.
Desminto meus sentimentos,
Quanto mais os explicito.

Neste jogo de verdades,
As mentiras é que jogam.
Então sou atraído,
Tanto quanto sou repelido.

Forças contrárias atuando,
Nos envolvem e dominam,
Fazendo-nos desejarmos,
Quando temos asco.

Já não sei quando
A sério falo,
Ou se tudo não passa
De cruel brincadeira.

Em teus olhos,
Interrogações,
Indagações.
Nenhuma certeza.

Por meu lado,
Nenhuma confirmação,
Sinal positico
Ou afirmação.

Seguimos helicoidalmente,
Aproximando e afastando,
Em vai-e-vem infernal,
Com os lábios nunca a tocar.

Por mais desejo,
Vontade que aparente,
Nunca temos certeza,
Nem dessas palavras que escrevo.
A noite inicia-se,
Minha busca recomeça,
Nos becos e vielas,
Caminhando pelas ruas
A sua procura.

Minha senda,
Pela lua iluminada,
É longa e fria,
Triste e solitária.

Busco seus vestígios,
Lembranças fugazes,
Que preenchem o vazio
Que é a vida sem você.

Sigo pela madrugada,
Em visões etéreas,
Entre brumas e sombras,
Vejo-a sorrindo, chamando-me.

Embrenho-me ainda mais,
Nestes densos sentimentos,
No lodaçal obssessivo
Que tornou-se esta tentativa.

A escuridão já se despede,
Quando, atingido pela fadiga,
Das horas andarilhas,
Desabo sobre a cama.

Aí sinto teus lábios quentes,
Em afagos trêmulos,
A tenho em sonhos felizes,
Real motivação
De buscá-la pelas noites.