Havia um Poeta e sua Musa,
Encontravam-se perdidos
Dentro de uma noite fria.
Ambos se desconheciam,
Amargurados, ainda sonhavam.
Amavam-se em silêncio,
mesmo sem se conhecerem.
Olhando o firmamento
Na insana busca pelo Amor.
Em lentos passos à noite,
Caminhavam por ermos caminhos
Já sem saber o que esperar.
Perguntavam-se até aonde
Sofrer pela espera é digno.
Pois quem aguarda firme
Será recompensado regiamente,
Desde que agüente a agonia
Lenta e gotejante do tempo.
Tantas súplicas e lamentos
Ambos lançaram aos céus
Apenas tendo Deus como testemunha...
Um acaso fortuito!
Pela primeira vez
As duas almas sôfregas
Tomaram-se conhecimento.
A Musa tinha o seu Poeta,
O Poeta alcançou a sua Musa!
Em uma fria noite de inverno,
Dedos trêmulos de emoção
Tatearam-se pelas trevas do medo.
Indecisão...
Após tanto tempo,
O coração encontra-se endurecido,
Recoberto de cascas de mágoa,
Camadas e camadas de desilusão.
"Não quero machucar-me...
Mas será?" - em suas mentes badalava
Dividindo corpo e alma,
Que já se encontravam partidos.
A Musa e seu Poeta;
O Poeta e sua Musa.
Ambos eram apenas silhuetas,
Éter que vagava pelas fileiras,
Entoando frases fragmentadas
Movidos por sentimentos diversos.
Até aonde vai o sonho?
Quando acaba a realidade?
Esta é a resposta esperada,
O grande momento chegou.
Mais uma desilusão
Para somar a tantas outras.
Qual caminho seguir?
Assim continuava o casal,
Rodopiando por salões iluminados
Em meio à brumas e névoas,
Em frenética espiral,
Num torvelinho de sentidos,
Palavras perdidas
Lançadas ao vento,
Esparsas no céu
Como pipas sem dono
Sem saber aonde ir.
Passaram a viver num mundo de magia,
Terra do Faz-de-Conta, Terra-do-Nunca,
Como se apenas isto bastasse,
Espantou-se para longe a realidade.
A Musa e o Poeta; o Poeta e a Musa...
Não houve mais como adiar.
Era o momento de materializarem-se,
Dar-se a ver um ao outro,
Para que se assim fosse
A profecia se concretizasse.
Quando por fim conheceram-se,
Após tantos momentos de magia,
O encanto criado pelo tempo,
Por palavras belas e frugais,
Lançadas volúveis ao ar
Em lindos anéis de fumaça,
Esculturas de nuvens ao vento.
Meu Poeta...
Minha Musa...
Assim foi o primeiro olhar,
Derradeira visão deste Amor,
Alicerçado sobre o ar,
Este belo castelo de marfim,
Qual mais frágil cristal,
Ao impacto da realidade,
Estilhaçou-se.
Seus reluzentes cacos
Espalharam-se pelo piso
E por lá ficaram.
Lembranças que ninguém quer levar,
Ficam ao tempo expostas
Até que o tempo as enterrem.
Musa...
sábado, dezembro 23, 2006
domingo, dezembro 10, 2006
Lágrimas dos Anjos
Tão bela é a chuva a cantar,
Arrastando nas águas, alegria e mágoa.
Enquanto as gotas do céu caem,
Lagrimas pungentes dos Anjos,
Atravessando o ar, numa intensa cantoria.
Os pingos no rosto combalido explodem,
Numa delicada e sutil carícia feminina,
Lavando nas águas as lágrimas,
Enquanto suavemente escorrem sonhando.
Crianças nas poças brincando,
Com os Querubins que do Céu caem,
Juntnado-se aos alegres folguedos,
Dos pequenos anjos sem asas.
O murmúrio das águas,
Canção de ninar de Deus,
Chuva que traz vida
Mesmo após a destruição.
O batuque nas latas cheias,
Percussão ás angelicais vozes,
Das gotas cantantes celestes,
Alegres e de vida efêmera.
Adultos sérios e tolos,
Não ouvem a chuva cantar
Nos pobres telhados das casas,
Enrijecem o coração à Alegria.
Tão bela é a chuva a cantar...
Tão bela é a chuva...
Tão bela...
Arrastando nas águas, alegria e mágoa.
Enquanto as gotas do céu caem,
Lagrimas pungentes dos Anjos,
Atravessando o ar, numa intensa cantoria.
Os pingos no rosto combalido explodem,
Numa delicada e sutil carícia feminina,
Lavando nas águas as lágrimas,
Enquanto suavemente escorrem sonhando.
Crianças nas poças brincando,
Com os Querubins que do Céu caem,
Juntnado-se aos alegres folguedos,
Dos pequenos anjos sem asas.
O murmúrio das águas,
Canção de ninar de Deus,
Chuva que traz vida
Mesmo após a destruição.
O batuque nas latas cheias,
Percussão ás angelicais vozes,
Das gotas cantantes celestes,
Alegres e de vida efêmera.
Adultos sérios e tolos,
Não ouvem a chuva cantar
Nos pobres telhados das casas,
Enrijecem o coração à Alegria.
Tão bela é a chuva a cantar...
Tão bela é a chuva...
Tão bela...
Solidão
Lamentos silenciosos
Cercam o coração poético.
Angústia, dor pungente,
Fria como mais vil punhal.
Criatura das Sombras,
Teu ser às Trevas pertence;
Teimas sempre , não compreendes?
É tua sina sozinho viver.
Quanto mais terás a pagar?
Até tua vida entregar?
Aceitas resignado teu destino,
Se para isto viestes a nascer.
Segue a senda dos solitários,
Desistes desta idéia de alguém ter.
As Amadas que tanto buscas
São apenas sonhos, a se perder.
Cercam o coração poético.
Angústia, dor pungente,
Fria como mais vil punhal.
Criatura das Sombras,
Teu ser às Trevas pertence;
Teimas sempre , não compreendes?
É tua sina sozinho viver.
Quanto mais terás a pagar?
Até tua vida entregar?
Aceitas resignado teu destino,
Se para isto viestes a nascer.
Segue a senda dos solitários,
Desistes desta idéia de alguém ter.
As Amadas que tanto buscas
São apenas sonhos, a se perder.
Palavras perdidas
Anos atrás, num viés poético,
Disse eu que a poesia silenciava,
A carreira do trovador findava;
Pura bazófia do poeta!
Se isto faz parte,
Intrínseca, desta alma tosca,
Somente ela cessará
Quando eu deixar de respirar.
Pois que meu vício
São estes versos tortos,
Trôpegos de vinho,
Brumosos de cigarros.
Isto lembra-me, fugazmente,
Todo Poeta é grande fingidor.
Pois que eu não bebo e ojerizo o fumo,
Mas insisto, como muletas, usá-los.
Disse eu que a poesia silenciava,
A carreira do trovador findava;
Pura bazófia do poeta!
Se isto faz parte,
Intrínseca, desta alma tosca,
Somente ela cessará
Quando eu deixar de respirar.
Pois que meu vício
São estes versos tortos,
Trôpegos de vinho,
Brumosos de cigarros.
Isto lembra-me, fugazmente,
Todo Poeta é grande fingidor.
Pois que eu não bebo e ojerizo o fumo,
Mas insisto, como muletas, usá-los.
Velas na noite
Ah, bela mortalha me envolve,
Nesta capela em penumbra;
Somente velas bruxuleantes
Dão tênue luz ao ambiente.
Já aqui estiveram, a me olhar,
Todos os que ainda se importavam,
Talvez até mesmo os curiosos.
Olhares compungidos de compaixão,
A este podre diabo no esquife.
Breve serei somente lembrança,
Um monte de ossos sob a terra,
Sem nenhum verme para ler
As derradeiras palavras do poeta.
Nesta alta madrugada estrelada,
Nem mesmo o vigia vela-me.
O velório segue fúnebre.
Até nesta hora sou solitário.
O único sorriso deste dia, talvez,
É aquele que estampado mostro,
Desde o momento final,
Quando a bala o coração perfurou.
Nesta capela em penumbra;
Somente velas bruxuleantes
Dão tênue luz ao ambiente.
Já aqui estiveram, a me olhar,
Todos os que ainda se importavam,
Talvez até mesmo os curiosos.
Olhares compungidos de compaixão,
A este podre diabo no esquife.
Breve serei somente lembrança,
Um monte de ossos sob a terra,
Sem nenhum verme para ler
As derradeiras palavras do poeta.
Nesta alta madrugada estrelada,
Nem mesmo o vigia vela-me.
O velório segue fúnebre.
Até nesta hora sou solitário.
O único sorriso deste dia, talvez,
É aquele que estampado mostro,
Desde o momento final,
Quando a bala o coração perfurou.
Questões
A felicidade tem sabor doce,
Apenas para amargar mais a tristeza.
Assim, nos momentos de desespero,
Ao lembrar da alegria, enlouquecer.
Quando a dor mais incomoda
Teimo em perguntar-me:
Se realmente tudo vale a pena,
Até mesmo chorar por você.
Tantas noites mal-dormidas,
Sono fugaz e tenebroso.
A tranquilidade frágil
Do descanso inalcançado.
Por que têm lábios quentes,
Num coração tão mesquinho?
Sentir o sabor do paraíso,
Para a eternidade no Inferno viver.
Apenas para amargar mais a tristeza.
Assim, nos momentos de desespero,
Ao lembrar da alegria, enlouquecer.
Quando a dor mais incomoda
Teimo em perguntar-me:
Se realmente tudo vale a pena,
Até mesmo chorar por você.
Tantas noites mal-dormidas,
Sono fugaz e tenebroso.
A tranquilidade frágil
Do descanso inalcançado.
Por que têm lábios quentes,
Num coração tão mesquinho?
Sentir o sabor do paraíso,
Para a eternidade no Inferno viver.
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