sábado, junho 20, 2009

Amar na Sombras...

Amar nas sombras,
Na fuga da penumbra
Tão ruim é...
Porém é o que cabe aqueles
Que não confrontam seus corações.

Vive sem viver,
Delicia-se com as sensações alheias
Incapaz de sentir por si mesmo.

Amor...
Estarei sempre perto
Ainda que nada saibas,
Talvez desconfies.

Não importa com quem estejas,
Aonde houver uma sombra,
Estará meu coração abrasado
Na penumbra escondido,
À distância te amando.

Desconhecido

Quem pode conhecer-me,
Se nem meu eu profundo,
Sabe quem sou eu?

O que caminha, cabisbaixo,
Com coração amargurado,
Eremita decidido,
Solitário infeliz.

O que olha sorrindo
Para a doce ilusão,
Acampa sb estrelas,
Brinca de sombras e trevas.

O que uiva para a Lua,
Lágrimas frias ao chão.
Do poema aflito, desesperado,
Clamando pela salvação.

O que brinca de trovador,
Um moderno Casanova,
Em eterna corte às Musas,
Ao coração delas alegrando.

Quem é aquele que escreve?
O amante radioso?
O covarde odioso?

Quem pode saber quem é,
O poeta em sua fantasia,
Se nem mesmo ele
Capaz é de dizer quem é?

Brisa dourada

Tanto tempo já faz,
Desde a última noite,
Gravada a ferro na mente,
Momento derradeiro e final,
Em que minha paixão morreu.
Para as sombras voltei,
Submergi nas brumas,
Perdi-me nas trevas.
Só, ao luar, lamentei.
Quantas tormentas enfrentei,
Picos íngremes escalei.
Ventos frios e borrascas.
Hálito de morte e loucura
Foi tudo que encontrei.
Atrocidades me cometi,
Maldições me lancei.
Contudo, perdido continuei,
Vagando a esmo me vi.
Nem mais um dia de Sol,
Um longo e infernal inverno.
Tentando apenas entender,
A batalha na qual lutava.
Continuei sem nada saber,
E quando, finalmente, emergi
Tal qual um calejado veterano,
Desde passado nada mais falei.
Com o coração temperado
Pelo martelo da desilusão,
Forjado na bigorna da agonia,
Fundido no calor do desespero.
Diariamente acossado pelo medo,
Fugindo dos fantasmas do passado,
De tantas e dolorosas lembranças,
Trancafio-me numa profunda caverna.

Aqui vivo, tendo comigo a Morte.

...

Então pelas frestas
Deste escuro calabouço,
Um doce brisa sopra,
Seu suave perfume
Antigas sensações rememora.
E agora sinto outra vez,
Ardor e esperança.
Tão desejados calor ternura,
Emanando de tua direção.
Qual viajante no deserto
Ao encontrar um oásis,
Rejubila-se, em ardente louvor aos céus,
Sou eu encontrando os olho teus.

quinta-feira, abril 02, 2009

Bailarina

Dança a pena sobre o papel,
Em seu suave balé com o versos,
Bailando com as palavras, rodopia.

Desce pelas linhas, fluida.
Na languidez do traço do poema
Incorpora sentimentos tão tenros,
Emoções fortes e agressivas.

Com sua unha, ao pergaminho arranha,
Cava-lhe sulcos na pele macia,
Aspergindo e injetando tinta e cor,
Marcando-a como tatuagem.

Dance, salte e rodopie!
Entre os dedos de quem conduz,
Escorrendo, desfalece, reergue,
Diverte-se, esquece da métrica.

Escreves então tua música,
Em cada passo, movimento rítmico.
Não cansas no ágeis saltos,
Nem escorregas quando a inspiração se vai.

Mantem-se firme e decidida,
Ao cavalheiro que te guia neste salão
Confias cegamente teu destino,
Até que ele diga: Enfim, acabou!
Então repousas e dormes,
Até que venha a próxima dança.

quarta-feira, abril 01, 2009

Reprise

Já tanto tempo faz
Que versos não verto.
Secou-e a fontedas odes,
Nenhuma amargura ou tristeza
Veio novamente ter com o trovador.

Na casa que sempre cheia viveu,
Sempre o visitavam a Melancolia,
A Dor, a Tristeza, etéreas Musas,
Mágoa, Morte e Loucura.

Todas haviam ido para longe,
Mas não por ter vindo a Alegria.
Ficou a casa vazia e o ecos,
Lembranças do que um dia foi.

Por isso as recebo com poesia,
Ao ver no horizonte, vindo do poente,
Uma velha conhecida, perturbando-me,
Minha antiga inquilina, a Agonia.

Mais um final...

Dar cabo,
Ter um fim.
Acabar com isto,
Este viver sem viver.
Tentar outra vez,
Partindo de uma vez,
Desitir de insistir
E repousar afinal.
Colocar enfim um ponto,
Dar adeus ao que foi bom;
Agradecer pelas graças,
Beijar as desilusões.
Ir para a última página,
Encerrar esta viagem,
Abortar todos os projetos,
Respirar aliviado...
Não mais se arrepender.
Sem nenhuma derrota,
Muito menos ter vencido.
Sair incólume, sem rastros.
Cair da vida direto
Para o latão de lixo.
Descartar-se para o mundo,
Ciclagem de nutrientes.
Interromper o nada,
Eliminar a dor
Definitiva e permanentemente
Morrer.



Estou cansando...
Estou cansado!
Jogo a toalha,
É fim de jogo.

Rato

Esconde-se rato,
Vil e suja criatura,
Pelos cantos rasteja-se.
Olhos silenciosos espreitam.

Corre entre as sombras,
Observas escondido,
As luzes e o som de festa.
Rapidamente entoca-se.

Então, rato na cova,
Chora a dor por ninguém ter,
Por não ser por ninguém
Desejado, menos ainda amado.

Teus olhos assustados,
Esgueiram-se pelas paredes,
Deste porão em que moras.
É ótimo para um rato.

Criatura medrosa,
Nunca arrisca-se,
Sempre alerta,
Sempre de volta à toca.

Então, continuas tua fuga,
Criatura miserável e covarde.
Chora tuas mágoas sozinhos,
Entre todos os teus versos.