terça-feira, agosto 14, 2007

Vaporosos Sonhos

Poeta tolo e inútil,
Constrói teus castelos com nuvens,
De brumas fazes o cimento,
Adicionando lágrimas e orvalho.

Assim trabalhas toda noite,
Para ver tudo desmoronar
Ao primeiro raio de sol,
Que vem toda manhã.

Ergue teus prédios de sonhos,
Amargurado coração apaixonado;
Teimas em iludi-te sempre
De que restará algo após amanhecer.

Agora, em silêncio, derramas teu pranto,
Assiste o vento desmanchar flocos
De tuas magníficas torres de devaneios,
Poesias para sempre no ar perdidas.

Como cristais do inverno
Derretendo ao sol da primavera,
Lentamente morrendo
Na promessa de um dia voltar.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Amargo Retorno

Carcereiro das Almas Desgraçadas,
Traze-me de voltas às correntes,
Ao meu calcanhar a bola de ferro.
Saí daqui sorrindo e sonhando...
Voltei novamente derrotado,
Como em todas as outras vezes.
Tive novamente meu coração açoitado
Pelo violento chicote da paixão.
Depois lançado ao deserto escaldante,
Na companhia das aves de rapina
Que devoraram quaisquer das esperanças.

Velhos companheiros de infortúnio,
Eis-me aqui, para vossos escárnios.
Cubram-me com o manto de vossas mágoas
Gargalhem de minha sorte, ou falta dela;
Arremessem tudo que de mais vil cobrem vossos pensamentos.

Carrasco ardiloso e cruel,
Algoz de nós os insanos,
Divertindo-se com o nosso sofrer.
Leva-me agora para o cepo,
Utiliza-te de tua mais afiada lâmina,
Para que num só golpe remova,
Este coração tolo que teima em amar.