A casa vazia me pergunta,
Nos cantos escuros não há ninguém.
Para onde foram todos?
Aqueles com quem partilhei a vida.
No silêncio sepulcral,
Iterrompido pelo rádio teimoso,
Ou pela televisão barulhenta,
Não vejo mais nenhum rosto.
Ainda ontem caminhei pelas ruas,
Onde todos nós havíamos passado,
Uma inútil tentativa de encontrar,
Aqueles que não mais aqui estão.
A impressão do vazio,
De se viver no Nada,
Preenchido de sonhos passados.
Aonde tudo cheira a nostalgia.
Um a um foram partindo,
De modo abrupto, batendo a porta;
Outros foram melancolicamente,
Saindo em pequenos passos.
Alguns por aqui ainda se demoraram,
Mas todos foram levados.
Resistiu apenas o gotejar,
Das lágrimas na noite.
Por que partiram?
Deixando-me por aqui,
No momento que preciso de alguém,
Para me convencer que tudo acabará bem.
Minha senda é solitária,
A isto devo me acostumar.
Aceitar que nasci sozinho,
Portanto morrerei só.
(Triste assumir que somos ilhas...)
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