terça-feira, novembro 02, 2004

Crisálida, breve borboleta.
Tenho-te agora nas mãos.
Transforma-se lentamente.
Acolhi-te ainda lagarta,
Quando todos queriam te pisar.

Quando estenderes asas
Ainda frágeis e úmidas ao Sol,
E te puseres a voar...
Serei lembrança perdida,
Num turbilhão de novas sensações.


Ah, borboleta aprendiz!
Tua vida é efêmera,
De teu corpo de sílfide,
No final nada irá restar.

Ao olhar para trás,
Sentirá o sabor verde,
Tenra e saudosa infância,
Que nunca mais irá voltar.


Tiveste muitos amores,
De todos eles fui primeiro,
A começar e encerrar.
O verdadeiro e derradeiro beijo.

É que te amei até o fim,
Mesmo quando voavas livre.
No início fui teu protetor;
No fim, também sou.


O que foste minha borboleta?
Agora, um invólucro de quitina.
Oco, seco. Antes pulsava de vida,
Das asas te caem as escamas.
Esperança. Na amoreira, tuas filhas.

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