domingo, abril 25, 2004

Chuva que molha a madrugada,
Espanta todos os boêmios.
Encobre a noite de nuvens,
Entristece o coração dos jovens.

Cai intermitente, sem dó.
Qual cão abandonado,
Em pé numa esquina estou...
Pobre alma apaixonada.

A hora é avançada,
Poucos veículos passam.
As casas dormem, silêncio,
Pessoas com endredons se aquecem.

Minhas roupas ensopadas,
Grudam no corpo
Em abraço desesperado,
Como se não quisessem me perder.

Estou imóvel na calçada,
Firme como o poste sobre a cabeça,
Com sua luz amarelada,
Estendendo minha sombra no asfalto.

Chove em ritmo contínuo,
Chega a ser monótono...
A água escoa para os bueiros,
Meus versos são arrastados com ela.

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