Mais uma noite...
Às ruas, andarilho!
Sinta o frio vento,
Rasgar os pensamentos.
No candeciar das horas,
Sonhos sendo desfeitos,
Dos escombros renascendo,
Em multiformas possíveis.
Ande sem cessar!
Continua a eterna fuga,
Seja do amor que escapa,
Ou de si mesmo, com medo.
Delire febrilmente,
Vomite versos incandescentes,
Em cada esquina que passar,
Como o cão vadio que é!
Vou zombar de ti,
Andarilho das madrugadas.
Tenho dó e compaixão,
De quem não vive completamente.
Vai, excluído!
Embrenhe-se nas sombras.
Tente esconder-se do algoz,
Pois se te encontro...
Insignificante...
Espalhe por aí teus poemas,
A cada um que encontrar,
Dilacero entre os dentes.
Ah, se contigo esbarro,
Na cara te escarro,
As costelas quebro,
Em violentos pontapés.
Anda, anda! Corra!
Pois pior crítico não há,
Que aquele que te segue.
Eu, a tua própria sombra.
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