sábado, dezembro 27, 2003

És tão delicada,
Suave como a brisa.
Tua presença inebria,
Como o aroma das flores.

Teu sorriso como estrelas,
Na límpida noite sem lua,
Brilham por trás dos lábios,
Finos e sensuais de beijar.

Este Trovador, de tolas rimas,
Perde totalmente a compostura,
Perante a tua beleza,
Ofuscando minhas rudes palavras.

Impossível descrever o sabor,
Do néctar que bebiam os deuses,
Para mortais que vivem de ilusão.

Como contar o original,
Sem parecer grosseira cópia?
Sei que por mais que me esforce,
Jamais conseguirei em versos,
Converter tua formosura.
Um sol radiante nascente,
Por entre as brumas da tristeza,
Com seus feixes dourados
Inúmeros como fios dos cabelos teus.

Teu olhar brilhante,
Esconde o coração frágil,
Que sente o peso da solidão,
Que a dor da perda faz maior.

Faze-me despertar pela manhã,
Com tua doce lembrança.
O sorriso que fulgura,
É o que cura para ser curado.

Quisera estar mais perto,
Da distância de um abraço,
Para aninhar o sol em meus braços,
Para te permitir chorar.

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Meus lamentos que te buscam,
Já voltam sem resposta.
Lentamente a perdi,
Como uma imagem que se esvai.

Minha escultura de areia,
Bela e frágil, que o mar leva,
Desaparecendo nas ondas.

Vais livre de mim,
Aquele que te enseja,
Mas teme alcançar-te,
De tudo acabar sem começar.

Se de meus sonhos vens,
Não sumas nas brumas,
Nem tomes rumo ignoto,
Mas volta para meu coração.

Que de esperanças vivas,
Mantém aceso o último lume,
Para que se algum dias voltares,
Saibas sempre aonde me encontrar.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Pela cidade luzes coloridas piscam,
O dourado e o prata reluzem à noite.
Todos respiram a magia,
O otimismo a todos contagia.

Caminhando pelas ruas,
A madrugada fica mais melancólica,
Ao ver pelas janelas apagadas,
Os piscas-piscas como vagalumes de fantasia.

Se o silêncio é que acompanha,
Mais taciturno fico, sentindo-me só.
Enquanto todos ficam alegres,
Meu coração verte lágrimas de saudades.

É o ano que se finda,
Amizades que se vão,
Lapsos de tempo que separam
Até aqueles que mais juntos estão.

Os reflexos se multiplicam nas poças,
Em minha cabeça muitas lembranças.
De como você gostava da casa decorada,
Com centenas de luzes, como as auroras nos pólos.

Existia um prazer incrível,
A alegria de construir algo junto.
Era divertido demais...

Mas agora, a casa é silêncio,
Apenas sombras e sussurros.
As pequenas lâmpadas ficaram nas caixas.

Obrigado meu pai por tudo.
Momentos maravilhosos e brilhosos,
Que talvez eu repita como meus filhos,
Com meu coração lembrando de você...



Sinto muitas saudades. Nos reencontraremos algum dia, com certeza.

domingo, dezembro 14, 2003

Olha-me de modo tão especial,
Acendendo-me chamas há muito apagadas.
Sinto o coração flamejar,
Que inutilmente tento controlar.

Mas sou transparente,
Nada consigo esconder;
Se a minha língua se cala,
Os olhos entregam-me.

E se forço-os para que se fechem,
Minhas poesias assinam uma confissão.

O bem que me faz,
Ter sua companhia neste instante,
Faz-me retornar a antigas crenças,
Que desacertos fizeram-me desacreditar.

Tua pele morena,
Já permeia meus sonhos.
O calor de teu corpo,
Ainda o sinto após o abraço.

Meu coração descompassado,
Almeja gritar a todos.
A razão o amordaça,
Esforçando-se para o controlar.

Se o que sinto converto em palavras,
O lado racional fala junto,
Embaralhando o conjunto,
Tirando da poesia o sentido.

Palavras sussurradas ao ouvido,
Arrepiando todos os pêlos,
É irresistível o convite para viajar,
Que sem querer já estou embarcando,
E talvez não queiras dela participar.
Num longo abraço,
Minhas lágrimas brotaram.
Viste pela primeira vez
Este guerreiro chorar.

Cada vez que mirei teus olhos,
Via-me submerso em um mar de ternura,
Sentindo-me realmente em paz.

Naqueles minutos,
Que duraram uma vida,
Meus ferimentos foram tratados.

Hoje ao despertar,
O sol em meu rosto
Ainda apostou que foi sonho.

A parte mais doce,
É que tudo foi real.
Em teus braços encontrei alento,
Em amor que não se mede.
Firme como rocha,
Resistente como ferro,
Da têmpera do melhor aço,
Faço-me exemplo de forte.

Entretanto,
Se até a rocha é britada,
O ferro desfaz-se na bigorna, martelado.
E o aço com o tempo corrói...

Como tentar fazer-me indestrutível?

Este andarilho do mundo,
Coberto por sua carapaça,
Trilha seu caminho só,
Tentando sempre sorrir.

Mas o caranguejo também esconde-se,
Troca de casca entre as frestas.
Protegido, ele pode crescer,
Para novamente resistir.

Exijo-me a fortaleza,
Sem descanso e sem exílio,
Como se nem humano fosse.

O aprendizado é árduo,
Muitos revéses em esperam.
Porém já não seguirei só,
Basta apenas me permitir
Que a mão amiga se estenda.
Estou perdido neste mundo,
As luzes foram apagando-se,
Tal como as estrelas
Engolfadas pelas tormentas.

E sem guia, sem rumo,
No coração apenas a solidão,
Do vazio da existência sem sentido.

Sinto o doce gosto da liberdade,
E o sabor amargo
De não ter mais a ninguém.
Mais uma noite,
A mente divaga pelas estrelas,
A pena desliza pelas linhas.

Nesta noite, lembro-me de outras,
De tua voz numa cantiga,
Tão macia e doce.

Gostava quando cantavas,
Baixinho ao meu ouvido,
Canções românticas em espanhol.

"¿Quién me va a entregar sus emociones?
"¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
"¿Quién me tapará esta noche se hace frío?
"¿Quién me va a curar el corazón partío?"

Agora meus lençõis estãos frios,
A Carmen que vive em ti, cantou mais alto,
Tomaste outros rumos e amores.

E eu numa espiral doentia,
Consolo-me com velhos boleros,
Entoando rimas de amor perdido.