Nesse inverno triste,
Meu único calor
Brota de ti.
Aquece-me e acalenta,
Afugentando-me da alvura
Dos dedos da Morte.
Pela janela, açoita a borrasca
Com gritos e uivos.
Em ti, a esperança resiste,
Resiste o carinho.
A brutalidade afia os dentes,
Para rasgar-me e despedaçar
O espírito, desprotegido e nu,
Envolto pela tempestade.
De teus olhos castanhos,
Jorra a ternura que inunda-me,
Aliviando a dor da chibata
E a foice da colheita.
Em mim, te eregi um santuário,
Devotando tudo o que resta.
E nesse corpo frágil, és a força.
Carregarei para sempre a tua lembrança.
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