domingo, abril 27, 2003

Nesse inverno triste,
Meu único calor
Brota de ti.

Aquece-me e acalenta,
Afugentando-me da alvura
Dos dedos da Morte.

Pela janela, açoita a borrasca
Com gritos e uivos.
Em ti, a esperança resiste,
Resiste o carinho.

A brutalidade afia os dentes,
Para rasgar-me e despedaçar
O espírito, desprotegido e nu,
Envolto pela tempestade.

De teus olhos castanhos,
Jorra a ternura que inunda-me,
Aliviando a dor da chibata
E a foice da colheita.

Em mim, te eregi um santuário,
Devotando tudo o que resta.
E nesse corpo frágil, és a força.
Carregarei para sempre a tua lembrança.

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