A canção do mar
Chega aos meus ouvidos,
Arrebentando em ondas
Contra o espírito.
A praia sempre deserta,
Mesmo cheia de pessoas,
Desde aquele último beijo,
Amargo de despedida.
Quando começou na primavera,
Jamais imaginei de se acabar,
Mergulhando-me na inanição
De novamente voltar a amar.
E às areias, sempre torno,
Tentando reencontrá-la,
Mesmo nos braços de outro,
Apenas para lhe ver.
Desesperadamente sigo
Amando-a sempre,
Tal como cão dispensável,
Sou enxotado e castigado.
No abandono fica o vazio,
Pois já não vem aqui
E eu não posso voltar a vê-la
Por mais uma única vez.
Assim não posso mostrar,
Que apesar da erosão, carcomendo-me,
Continuo sólido e firme,
Loucamente amando você.
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