domingo, dezembro 10, 2006

Velas na noite

Ah, bela mortalha me envolve,
Nesta capela em penumbra;
Somente velas bruxuleantes
Dão tênue luz ao ambiente.

Já aqui estiveram, a me olhar,
Todos os que ainda se importavam,
Talvez até mesmo os curiosos.
Olhares compungidos de compaixão,
A este podre diabo no esquife.

Breve serei somente lembrança,
Um monte de ossos sob a terra,
Sem nenhum verme para ler
As derradeiras palavras do poeta.

Nesta alta madrugada estrelada,
Nem mesmo o vigia vela-me.
O velório segue fúnebre.
Até nesta hora sou solitário.

O único sorriso deste dia, talvez,
É aquele que estampado mostro,
Desde o momento final,
Quando a bala o coração perfurou.

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