Tanto tempo já faz,
Desde a última noite,
Gravada a ferro na mente,
Momento derradeiro e final,
Em que minha paixão morreu.
Para as sombras voltei,
Submergi nas brumas,
Perdi-me nas trevas.
Só, ao luar, lamentei.
Quantas tormentas enfrentei,
Picos íngremes escalei.
Ventos frios e borrascas.
Hálito de morte e loucura
Foi tudo que encontrei.
Atrocidades me cometi,
Maldições me lancei.
Contudo, perdido continuei,
Vagando a esmo me vi.
Nem mais um dia de Sol,
Um longo e infernal inverno.
Tentando apenas entender,
A batalha na qual lutava.
Continuei sem nada saber,
E quando, finalmente, emergi
Tal qual um calejado veterano,
Desde passado nada mais falei.
Com o coração temperado
Pelo martelo da desilusão,
Forjado na bigorna da agonia,
Fundido no calor do desespero.
Diariamente acossado pelo medo,
Fugindo dos fantasmas do passado,
De tantas e dolorosas lembranças,
Trancafio-me numa profunda caverna.
Aqui vivo, tendo comigo a Morte.
...
Então pelas frestas
Deste escuro calabouço,
Um doce brisa sopra,
Seu suave perfume
Antigas sensações rememora.
E agora sinto outra vez,
Ardor e esperança.
Tão desejados calor ternura,
Emanando de tua direção.
Qual viajante no deserto
Ao encontrar um oásis,
Rejubila-se, em ardente louvor aos céus,
Sou eu encontrando os olho teus.
sábado, junho 20, 2009
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