sábado, agosto 28, 2010

"Tristesse"


As imagens estáticas,
Flutuando paralisadas no ar,
As ações no quase acontecer,
O abraço quase a ser dado,
Um beijo que quase é.

Um mundo em animação suspensa,
A expiração, no pulmão pausada,
Amores que nunca serão amados,
Raiva jamais a ser despejada.

O mundo que a girar continua,
Observar a iminência do ser,
Enquanto os outros seguem,
Lamentar a estagnação que fica.

Essa melancolia que ronda,
Um Noturno de Chopin
Com toda sua incrível beleza,
Trazendo um lago de tristezas.

É o limiar, umbral da porta,
Que jamais será atravessada,
Ainda que do outro lado
A felicidade infinita esteja.

A beira do penhasco,
Prelúdio do amanhecer,
O primeiro degrau da escada,
O limite do adormecer.

É quase a morte.
É uma vida no quase.

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