Flutuando paralisadas no ar,
As ações no quase acontecer,
O abraço quase a ser dado,
Um beijo que quase é.
Um mundo em animação suspensa,
A expiração, no pulmão pausada,
Amores que nunca serão amados,
Raiva jamais a ser despejada.
O mundo que a girar continua,
Observar a iminência do ser,
Enquanto os outros seguem,
Lamentar a estagnação que fica.
Essa melancolia que ronda,
Um Noturno de Chopin
Com toda sua incrível beleza,
Trazendo um lago de tristezas.
É o limiar, umbral da porta,
Que jamais será atravessada,
Ainda que do outro lado
A felicidade infinita esteja.
A beira do penhasco,
Prelúdio do amanhecer,
O primeiro degrau da escada,
O limite do adormecer.
É quase a morte.
É uma vida no quase.


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