quinta-feira, janeiro 24, 2008

Amar-te foi fácil, ser amado por ti foi ilusão.

O Sol queima-me as pálpebras...
Desperto, olhos abertos;
Tal e qual um autômato,
Dirijo-me ao espelho
Perguntando sem perguntar,
Sendo respondido sem entender.
Íris contraídas, olhando em frente
Quem é aquele que me olha de lá?
Se sou eu não reconheço,
Os cabelos grisalhos,
No rosto há barba por fazer;
Óculos sujos e embaçados,
Olheiras de noite mal dormida,
Corpo cansado da batalha não vencida,
Na campanha que jamais existiu.
Então, se quem me olha de lá
Nem um pouco de mim é,
Quem ele então é?
Não reconheço as rugas,
O olhar triste e melancólico.
O semblante derrotado e cansado,
Com a sombra da Morte às costas.
Sim, ela que sempre nos acompanha,
Da vida inteira, nossa única certeza,
Tem sido uma fiel companheira,
Ouvindo meus lamentos à noite,
Colhando minhas lágrimas de desilusão.
Ébrio pelo álcool da derrota,
O sorriso dela é meu alento,
Desde que o cálice de fel bebi,
Ao virar-me as costas e dizer: Adeus.

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