Chuva que teima em lavar minhas lágrimas,
Carrega também minhas mágoas,
Nestas águas de enxurrada.
Afogue meu coração entristecido,
Que sempre se queima em paixão,
Para depois tornar-se cinzas.
Queria ser despedaçado,
Ter as entranhas devoradas,
E tornar-me uma ossada branca ao relento.
E espalhado pelo deserto,
Tudo viraria pó: desilusões,
Sonhos arrebentados, mágoas e... amores.
Seria fuga? Claro que sim.
Chega de ilusões toscas,
De sabor de coisas perdidas.
Termino este gemido de dor,
Antes da solução final nesta casa vazia.
Se sofri quem se importa?
Sou animal abatido pela carabina.
Serei descourado e retalhado.
Meus ossos repousarão numa fogueira qualquer.
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