sábado, outubro 13, 2007

Melancolia

Infelizes, abram seus corações,
Nas ruas derramem suas lágrimas.
Aqui estou, o Arauto da Noite,
O que canta as mazelas do sofrer.

Espalhem suas desilusões ao ar,
Deixe que eu as pegue e selecione,
Carinhosamente as recolho,
Enquanto os versos saem a voar.

Alma melancólica que fita
Das janelas, as estrelas frias,
Aquele de espírito saturnino
Admira cada um dos teus suspiros.

Nas asas das sombras
Notívago andarilho,
Coração sem pouso,
Espírito errante e perdido.

Se vindes a mim, igual a ti,
Posso oferecer vinho e mágoa,
Podemos até repartir,
Não sou de falar, mas de ouvir.

Meus poemas se vão vazios,
Quem os preenche são os que lêem,
Com um punhal atravessado
Complementam o que apenas organizei.

Requiem aeternam

Vida que teima em queimar,
Chama perene que arde no sangue
Enquanto o Criador desejar,
No momento derradeiro, apagar,
Num único sopro, num sussurro:
-Volta para junto do Pai.
A morte não vem de túnica negra,
Nem carrega a temida foice.
Seu semblante pálido e fixo,
Sem expressar emoção alguma
Guia o Poeta e Trovador
Em seu último devaneio.
Na marcha dos desolados,
Que para trás deixam amores,
Amizades e família,
Sigo com sorriso nos lábios
Coração em júbilo descompassa.
Agora é a Eternidade etérea,
Sem mais dor e desilusão.
As mágoas já não existem
Exceto nas lembranças atormentadas
Que insisto em manter
Após o Abismo, após o não-ser.

Lux aeterna luceat eis, Domine, cum sanctis in aeternum, quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis.

Anjo

Anjo que ilumina minhas noites,
Venha com os pingos de chuva,
Traga teus belos sorrisos,
Deixa-me ver teus cabelos dourados.

Esta distância e silêncio
Incomodam-me e trazem sombras,
Nesta saudade nascente
Que torna-se árvore frondosa.

É teu este jardim perfumado,
Com rosas, tulipas e jasmins.
Regado com versos e poemas,
Com carinho o mantenho para ti.

Deixe-me aquecer-te nesta noite fria,
Aliviar também esta saudade que te consome,
Soprar para longe qualquer nuvem de tristeza,
Para perder-nos em longas conversas na madrugada.

Dar asas aos sonhos românticos,
Encontrar aquele pedaço que falta,
Que alguém leva junto a si,
A metade de nosso coração.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Solidão. Desilusão.

Triste é o caminho
Do trovador solitário.
Acompanha o passear da Lua,
Divaga pela noite sem pensar.

Carrega no coração calado,
Sentimentos que não ousa dizer,
Sempre está apaixonado
Pelas musas que traz o mar.

Mar de espumas etéreas,
Em ondas de poesia e amor.
Olha o horizonte aflito
"Onde estás que não a encontro?"

Amada, querida Amada,
A quem espero nas madrugadas,
Louco já estou de esperar,
Devorado pelo gelo da solidão.

Os dias se esvaem um a um,
Anos e anos se perdem.
Meu ardor já se encerra,
Minhas sombras me consomem...