quarta-feira, janeiro 24, 2007

Novamente a Lua

Ah, Lua! Passas no ceu incólume,
Iluminando igualmente, sem distinção,
Tanto enamorados quanto os solitários.

Traz em teus sedosos raios
Sorrisos em alguns;
Lágrimas em outros.

A dor contundente
Que no peito trago,
À tua luz argêntea,
Ganha contornos etéreos.

Meu uivo te dirijo,
Assim como em todas as noites.
Segue-me para sempre,
Não abandone-me jamais.

És tu a musa que não se esvai.
Vem a mim todas as noites,
Trazendo alento à dor,
Acariciando minhas chagas.

Mesmo assim meu espírito,
Tranquilo nunca dorme,
Pois nem mesmo tu, deusa de prata,
Consegue saciar minha sede de amar.

Parto em minhas viagens,
Machucando tantas, ferindo-me outras.
Quando volto, cicatrizes,
A ti novos uivos aflitos.

Incansável, volta-te para mim,
Como te voltas para todos os outros:
Aqueles exultantes de alegria,
Quanto aqueles em mágoas perdidos.

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