Por que rimar amor com dor?
Por que não combinar com alegria?
Se há drama, por acaso, é atraente?
Vou rimar amor com cor.
Vindo da ausência de cor,
Após pelo arco-íris passar,
Sem desejo de nada mais ver,
Apenas se quer sobreviver.
Qual o tom do amor?
A matiz é furta-cor.
Tudo começa azul,
Entre sorrisos delicados,
Beijos inseguros ou roubados.
Carícias são trocadas,
A esperança com seu verde
Traz alento ao coração:
- Desta vez vai tudo dar certo!
Diz-se quando antigas dores doem
Num lúgubre lembrete,
Tal mantra positivo e supersticioso.
Amarelo como um amanhecer,
Vem chegando o amor,
Por sobre as altas montanhas,
Tomando as planícies em sombras.
Então as flores adormecidas
Despertam em beleza e cor.
Uma explosão de vida
Entre cantar de pássaros
E céu límpido, sem nuvens.
O espírito torna-se brasa,
Como teus incandescentes lábios.
É o fulgor da paixão, violência do amor,
Tinge de vermelho o coração,
Sangue pulsando firme nas veias.
O mundo é tomado de chamas.
Que esmaecem, cedo ou tarde,
As labaredas extinguem-se.
Nas planícies apenas cinzas,
No horizonte vai longe
O alaranjado do incêndio
Então anoitece na vida,
O ar cheirando a queimado,
Sensação incômoda no peito.
O amor está apagando-se,
Como vela toda consumida,
Incenso ao completo findar-se.
Todas as nuanças se esvaem,
As telas são apagadas pelo vento,
As lembranças ainda resistem,
Porém pelo tempo são corroídas,
Deixando à mostra os ossos,
Alterando todas suas formas.
Retornei à ausência de cor...
No círculo vicioso da história,
Amor apenas rimou com dor,
Tendo as cores como alegoria.
Talvez amor não confraternize
Com alegria ou sentimento bom.
O drama por fim prevaleceu...
Não, impossível aceitar!
Em trevas imerso ficar?
Jamais! Não devo acreditar.
Faço de poema nova tentativa:
Por que ainda rimar amor com dor?
Por que simples não é combinar com alegria?
Se há drama, por acaso, é atraente?
Vou rimar amor com cor!
...
sexta-feira, janeiro 12, 2007
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