domingo, setembro 03, 2006

Derrotado

Olha em meus olhos tristes,
Que a querem ainda tanto,
As lágrimas de dor e amargura
Que tanto busco afogar nesta bebida...

Veja quão baixo desce um homem,
Perdido nas agruras da paixão,
Perambulando sem destino,
Entre a loucura e a lucidez.

Este ser rastejante e asqueroso,
Um dia já foi altivo e garboso.
Mas a seta envenenada do cupido,
Atirou-me sem dó ou piedade na miséria.

Observe como eu cada vez mais caio,
Rumo ao fundo inalcançável do abismo,
Dormindo ao relento e ao sabor das estrelas,
Pois nada mais me importa ou vale.

Por favor não tenha compaixão.
Exijo que se afaste agora e para sempre,
Guarde na memória permanente
A imagem deste que já foi o seu trovador.

Não derrame suas preciosas lágrimas,
Com este verme ébrio e sujo.
Guarde-as em seu coração tenro,
Para, em meu marmóreo sepulcro, vertê-las.

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