domingo, setembro 03, 2006

Ébrio

Neste copo de vinho tinto
Perco meus sentimentos,
Anestesio minhas dores,
Esqueço tristes amores.

Não sei porque a bala
Alojada neste tambor
Ainda não foi deflagrada,
Para o aço o coração cortar.

O que andava pelas noites,
Coberto pela capa do romance.
Aos pés das Amadas ajoelhava-se,
Queria estar morto e enterrado!

Nas ondas do álcool e do fumo,
Quero desperdiçar minha vida.
Esta alma torpe que só quis amar,
Encontrou decepção em todo lugar.

Agora a madrugada me alcança,
Meu corpo é consumido vivo,
Coberto de moléstias e chagas,
Como sempre foi minha alma.

Turbilhões de sensações...
Tonto e trôpego despeço-me.
Não venham-me visitar,
Neste jardim das almas perdidas.

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