sexta-feira, agosto 04, 2006

Esta é mais uma noite,
Todas solitárias e vagas.
Busco compreender-me,
Encontrar a Amada,
Encerrar meu ciclo de poesia louca.

Já não sei se quero
Essa vida deixar,
A dor nos acostumamos
E passamos a cultivá-la,
Como algo de estimação.

Talvez um dia eu desejasse,
Que essa busca terminasse,
Que minhas lágrimas não desperdiçasse.
Mas hoje? Após tantas agruras,
Surfo nas ondas do sofrimento;
Faço chover na cidade com meu pranto.

Ninguém as recolhe, exceto os Anjos.
Elas escorrem regularmente,
Nas noites silenciosas e frias.
Além de cacos de meu coração,
Meu rastro é feito de lágrimas.

São estrelas cintilantes no piso,
Ao serem iluminadas pelas do firmamento.
E quando as Fúrias chegam,
Vejo-me no centro da tormenta.
Minha alma carrego pelo mar tenebroso,
Arrenego-me a desistir deste caminho.

Contudo, quando as ondas baixam,
Vem a calmaria duradoura,
De beleza extática e imóvel.
Neste momento me sinto mais só,
Olhando para o horizonte,
Melancólico e soturno.

Espero o sol raiar nas ruas,
Muitas pessoas já passam.
Sou invisível a elas, ocupadas e humanas;
Não sentem nem mesmo a presença
Etérea deste poeta fantasma.

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