segunda-feira, julho 10, 2006

Hoje a noite está mais sombria,
Ando pelas ruas mais perdido.
No coração apertado pela dor,
A melancolia consome todo o calor.

Desde o dia que me renunciei,
Entreguei-me nesta insanidade,
Cada vez vejo-me mais solitário,
Sorvendo, sôfrego, o fel do abandono.

A cada amargo gole, a cada lágrima perdida,
Em cada lasca de coração deixada para trás,
Em cada ilusão romântica que me perco,
Estou mais distante de ti, amada musa...

Minhas palavras estão se esgotando,
No ritmo que minha vida se esvai.
Esta ferida na alma que não cicatriza,
Neste rastro de sangue e amor que deixo.

Parece-me que mais distante estás,
Quanto mais tento encontrar-te.
Meu corpo está cansado e fraco,
Em noites insones de vinho e poesia.

A poesia ardente, é cinza e escória,
Resíduos do consumo desenfreado
Em busca daquela a quem as trovas pertencem.
Apenas colho o sussurro do vento noturno.

Nos becos silenciosos, vagam os perdidos.
Nestes tu não estás, nem nas sacadas vazias,
De casarões vitorianos de sonhos,
Que povoam minha cidade irreal.

Agora é tão tarde para voltar...
Tantos já se foram, partiram sem nada dizer.
Há tanto tempo estou nesta estrada,
Que nem mesmo sei quem sou...

Apenas continuo acordando a cada noite,
Com o meu amor magoado e triste,
Tentanto em vão te buscar, Amada,
Porque para casa não sei mais voltar...

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