segunda-feira, maio 01, 2006

O estampido ecoa pelo quarto,
Reverbera pelas paredes da casa.
Meus olhos cansados e vermelhos,
De água enchem-se na saudade.

O tempo agora avança,
Não mais aquela agonia
De gotejar de minutos
Num balde cheio de horas.

A carne queima numa auréola
Tinta de rubro intenso.
As musas de sonhos me consolam,
Neste derradeiro momento.

O ar metálico e fumacento
Enchem-me os pulmões afogados.
Nos lábios um sorriso de despedida,
Sobre a mesa as últimas poesias perdidas.

Minha mente voa para longe,
Atingindo infinitas aturas,
No silêncio da noite ensangüentada,
Com as batidas descompassadas do coração ferido.

As lembranças se esvaem
Na dor perfurante e fria
Que meu corpo atravessa,
Num faiscante raio de luz.

O adágio que é minha vida
Encerra-se com notas melancólicas,
Numa existência vazia.
Tudo perdeu o sentido.

Na esperança do perdão divino,
Pais perdoem-me por ter falhado;
Senhor da misericórdia, ouve o meu lamento,
Em tuas mãos entrego meu espírito.

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