sábado, março 04, 2006

Poeta, Poeta, Poeta...
Tua pena é movida a dor.
Quando está feliz,
Nada mais te inspiras.

Mas, quando te vês na tempestade,
Sabes que irás sofrer,
Discernível é então o sorriso maroto
No teu coração masoquista.

És um escultor do sofrimento,
Esta matéria bruta e áspera,
A entalhas abnegada e arduamente,
Transformando-a em beleza e lirismo.

Se passas por camaria,
Tua embarcação vacila e não segue;
Preferes os mares revoltos e encapelados,
Trovões e raios te servem de sinfonia.

És desbravador do agreste sofrer,
Navegando caudalosos rios de pranto.
Descobres novos e ignotos recantos
Na alma escondidos pelas bonanças.

Tu és o fazendeiro da seca,
Dos períodos de morte e fome.
Pois nas épocas de chuvas e flores,
Nada consegues produzir a contento.

Qual verme na carne morta,
Transformando para que a vida continue,
És tu, poeta sofredor, chafurdando
Nas feridas das veredas do amor

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