domingo, janeiro 29, 2006

Hoje tão forte chove,
Nas gotas teu rosto reflete.
Não são lágrimas nem pranto,
Apenas chuva mesmo.

As luzes da cidade se acendem,
Espantam as sombras que as nuvens trazem.
A humanidade se encolhe na tempestade,
Medo primitivo que aflora na pele.

Pelos vidros respingados,
Da janela de teu quarto,
Vês a criatura insana à rua,
Que enxerga através de teus olhos.

A chuva molha-me até os ossos,
Perfura ávida minha pele,
Busca meu quente sangue,
Para diluí-lo na torrente.

Recostado neste poste,
Fixo-me em tua janela,
Coberta com este vitral efêmero
Fruto deste efeito metereológico.

Ficas ainda mais linda,
Nesta soberba atitude.
Olha-me através das redondas gotas,
Sentes piedade , contudo maior é o medo.

Este coração valente,
Ribombando pelos ares,
Que encolhem até os trovões,
Assusta-te deveras.

Amar intensamente,
Como uma pavio ardente.
Até que nada mais reste,
Com as cinzas sopradas pelo vento.

Depois o vazio da fusão completa,
Como esta água que escoa nas telhas.
Venha sem sentir pânico,
Chafurdar comigo nas amorosas poças.

Vem...

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