Hoje tão forte chove,
Nas gotas teu rosto reflete.
Não são lágrimas nem pranto,
Apenas chuva mesmo.
As luzes da cidade se acendem,
Espantam as sombras que as nuvens trazem.
A humanidade se encolhe na tempestade,
Medo primitivo que aflora na pele.
Pelos vidros respingados,
Da janela de teu quarto,
Vês a criatura insana à rua,
Que enxerga através de teus olhos.
A chuva molha-me até os ossos,
Perfura ávida minha pele,
Busca meu quente sangue,
Para diluí-lo na torrente.
Recostado neste poste,
Fixo-me em tua janela,
Coberta com este vitral efêmero
Fruto deste efeito metereológico.
Ficas ainda mais linda,
Nesta soberba atitude.
Olha-me através das redondas gotas,
Sentes piedade , contudo maior é o medo.
Este coração valente,
Ribombando pelos ares,
Que encolhem até os trovões,
Assusta-te deveras.
Amar intensamente,
Como uma pavio ardente.
Até que nada mais reste,
Com as cinzas sopradas pelo vento.
Depois o vazio da fusão completa,
Como esta água que escoa nas telhas.
Venha sem sentir pânico,
Chafurdar comigo nas amorosas poças.
Vem...
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