Exalando o odor da morte,
Coberta pela mortalha negra,
Fazendo-me tremer os ossos.
O hialino luar, prateado,
Gelado e melancólico,
Fazia tudo silenciar
Tornando o ar irrespirável.
Minhas costas curvavam-se,
Tamanho fardo era viver.
Os passos arrastados na terra
Guiavam-me ao sepulcro.
Se o mundo já nao valia nada,
Eu menos ainda tinha valor.
Um ninguém que vagava,
Sumindo um rastro de poeira.
Era um adeus sem lágrimas.
Até que estendeste-me tua mão...
Diversas vezes negeui auxílio.
Nasci sozinho, vivi sozinho,
Então... Partirei sozinho.
Entretanto não desistes,
Continuas insistindo comigo.
Meu coração endurecido, envaidecido,
Demais era para aceitar.
Os dias sucediam-se
Rumo ao fi trágico.
Até que a tua suave voz,
Que firme chamava por meu nome.
O teu esplendor refulgiu,
Iluminando minhas trevas,
Trazendo-me à razão.
E os meus joelhos dobraram-se.
Meu coração quebrou,
Minha empáfia se foi.
O que sou perante ti?
Não sou digno das graças que recebi.
Prostrei-me arrependido,
Com lágrimas banhando o solo,
Aguardei meu merecido castigo.
Mas tu és o Justo, me esquecia.
Tocou-me, levantou-me e abraçou-me.
E ao meu ouvio sussurrou:
És meu! Há muito que te espero!
Meu espírito se quebrantou...
Um coração novo me deste,
Esvaziaste minhas cupas e infâmias,
Saciaste minha fome e minha sede.
Agora as noites são felizes,
A lua emana teu calor.
Aspiro ao doce perfume da vida,
Minha caminhada agora tem lume.
Pois foi Deus quem passou por mim. E me deixou o perfume de sua presença.


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