domingo, agosto 28, 2005

As noites eram tão frias,
Exalando o odor da morte,
Coberta pela mortalha negra,
Fazendo-me tremer os ossos.

O hialino luar, prateado,
Gelado e melancólico,
Fazia tudo silenciar
Tornando o ar irrespirável.

Minhas costas curvavam-se,
Tamanho fardo era viver.
Os passos arrastados na terra
Guiavam-me ao sepulcro.

Se o mundo já nao valia nada,
Eu menos ainda tinha valor.
Um ninguém que vagava,
Sumindo um rastro de poeira.

Era um adeus sem lágrimas.

Até que estendeste-me tua mão...
Diversas vezes negeui auxílio.
Nasci sozinho, vivi sozinho,
Então... Partirei sozinho.

Entretanto não desistes,
Continuas insistindo comigo.
Meu coração endurecido, envaidecido,
Demais era para aceitar.

Os dias sucediam-se
Rumo ao fi trágico.
Até que a tua suave voz,
Que firme chamava por meu nome.

O teu esplendor refulgiu,
Iluminando minhas trevas,
Trazendo-me à razão.
E os meus joelhos dobraram-se.

Meu coração quebrou,
Minha empáfia se foi.
O que sou perante ti?
Não sou digno das graças que recebi.

Prostrei-me arrependido,
Com lágrimas banhando o solo,
Aguardei meu merecido castigo.

Mas tu és o Justo, me esquecia.
Tocou-me, levantou-me e abraçou-me.
E ao meu ouvio sussurrou:
És meu! Há muito que te espero!

Meu espírito se quebrantou...
Um coração novo me deste,
Esvaziaste minhas cupas e infâmias,
Saciaste minha fome e minha sede.

Agora as noites são felizes,
A lua emana teu calor.
Aspiro ao doce perfume da vida,
Minha caminhada agora tem lume.

Pois foi Deus quem passou por mim. E me deixou o perfume de sua presença.

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